Album do ano

Perto do fim do ano aparecem artigos na imprensa e blogs a contemplar os melhores álbuns do ano.

Numa altura em que o formato está aparentemente em declínio, será que promover esta forma de lançamento está obsoleta?

O conceito de álbum foi definido pelo meio físico existente na altura, o vinil. Os vinis, cassetes e CD’s têm um limite de tempo e chegou-se à conclusão que não usar este espaço significava a perda de dinheiro. Porquê gravar três minutos se podemos gravar uma hora de música?

Releases

Um álbum tem um tempo de lançamento demasiado longo para a procura que existe nos dias de hoje. Demora muito tempo a produzir. Os ouvintes atuais querem updates e novidades cada vez mais frequentes e regulares. Esperar um ano ou mais é arriscar cair no esquecimento.

Nostalgia.

Apesar de tudo ainda existe público que se lembra de manusear os formatos físicos os quais provocam emoções de familiaridade, confiança e conforto. Quem compra um disco físico sabe o que esperar dele e compreende como funciona. Não existe tempo de aprendizagem ao contrário do uso das novas plataformas digitais.

Os formatos físicos são coleccionáveis e tangíveis.

A escassez pode ser um ponto positivo criando expectativa mas funcionará para artistas já consagrados.

Old School

Voltando ao tema central que me fez escrever este artigo. 
A imprensa é old school e ainda se está a tentar adaptar aos tempos modernos. Ainda apela ao album conceptual como obra de arte. Vê valor neste formato apesar de estar em negação da realidade. Tem de ser pensada uma melhor forma de dar cobertura do que o album do ano.

I have a Stream

As plataformas de streaming vieram mudar a forma de consumo de música e estão orientadas para o formato single.

Lançar músicas durante o ano talvez seja uma melhor aposta. Garante a periodicidade e se for bem planeado, garante uma maior cobertura.

Não sendo um formato estanque, permite um melhor alinhamento e ajuste com as reações dos ouvintes.

Existem portanto dois mundos distintos, e complementares por enquanto, mas o futuro(presente?), se tivesse que apostar, não são álbuns nem discos cheios, são streams de singles.

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