Medicalização do Comer

A abordagem medicalizada se concentra nos alimentos de forma isolada, reduzindo-os aos seus nutrientes e às suas propriedades nutricionais.

É bastante comum a visão estritamente biológica e utilitária do ato de comer. A abordagem [medicalizada] se concentra nos alimentos de forma isolada, reduzindo-os aos seus nutrientes e às suas propriedades nutricionais. Contudo, questões socioculturais, hedônicas e simbólicas acabam sendo desconsideradas, prevalecendo assim, o discurso biomédico e normativo por meio da medicalização do alimento e, ou do nutriente. Ademais, presume-se ainda que os aspectos nutricionais são o principal valor do alimento e que o comer se resume a uma questão de “saúde” física.

É preciso então rever o discurso sobre o ato de comer e (re)aproximar a Nutrição das Ciências Humanas; bem como lembrar que o indivíduo se comporta como um sujeito biopsicossocial e não apenas um ser que ingere calorias e nutrientes. Nós comemos por inúmeras razões e comemos alimentos (não nutrientes). Além disso, o nosso comportamento alimentar possui aspectos psicossociais e culturais muito fortes. Logo, a abordagem nutricional não pode desconsiderá-los e precisa reconhecer toda a pluridimensionalidade que o alimento possui.

Referências:

Kraemer FB, Prado SD, Ferreira FR, Carvalho MCVS. O discurso sobre a alimentação saudável como estratégia de biopoder. Revista de Saúde Coletiva. 2014; 24(4):1337–1359.

Mayes CR, Thompson DB. What Should We Eat? Biopolitics, Ethics, and Nutritional Scientism. Journal of Bioethical Inquiry. 2015; 12:587–599.