“Saudável” X “Não saudável”

A simplificação nutricional

Dividir os alimentos em “saudáveis” e “não saudáveis” não é a melhor maneira de de compreender e de se referir ao valor nutricional do alimento.

É muito comum dividir os alimentos em “saudáveis” e “não saudáveis”; e assim, o discurso se pautar no incentivo ao consumo de alimentos dito como “saudáveis” e, ou na exclusão dos “não saudáveis”. No entanto, essa abordagem não é a melhor maneira de compreender e de se referir ao valor nutricional do alimento, além de não garantir a mudança de comportamentos e hábitos alimentares ou mesmo uma alimentação mais saudável…

Essa classificação dicotômica dos alimentos é muito superficial ao dividi-los em dois grandes grupos opostos e por possuir um caráter subjetivo muito forte. Ademais, essa divisão não reconhece que os alimentos possuem densidades nutricionais diferentes e pode gerar ainda uma relação bastante complicada e conflituosa com a comida, pois ela diz que um alimento pode te deixar “saudável” e outro “não saudável”…

É preciso, então, rever o discurso sobre a alimentação saudável e entender que ela consiste, antes de tudo, no encontro entre alimentação e saúde. (Talvez seja preciso abordar mais os conceitos de alimentação e saúde também). Além disso, é essencial entender que a alimentação saudável não tem uma única apresentação e que ela tem espaço para todos os alimentos se a entendermos sob a perspectiva biopsicossocial.

Referências:

VILLAGELIM, A. S. B. et al. A vida não pode ser feita só de sonhos: reflexões sobre publicidade e alimentação saudável. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 3, p. 681–686, 2012.

SCAGLIUSI, F. B.; ALVARENGA, M.; PHILIPPI, S. T. Conceituação de alimentação saudável sob a perspectiva biopsicossocial. In: _______ ALVARENGA, M.; SCAGLIUSI, F.; PHILIPPI, S. T. Nutrição e transtornos alimentares. Baueri: Manole, 2011. p. 37–58.