Afinal, qual a função do Game Tester?

Esta questão é uma das mais feitas e questionadas por curiosos ou interessados na área de jogos e que não vêem um futuro promissor em si para outras áreas mais técnicas, como a área de programação. Como várias pessoas procuram um espaço em qualquer projeto que tenha um contato bem próximo de um time, a área de Quality Assurance (Controle de Qualidade) é a primeira a ser indicada e direcionada pelo time, para assim posteriormente orientar e apresentar outras funções e trabalhos de um jogo, caso o indivíduo tenha interesse em ir para uma área específica.

Mas pra quê botar um cara qualquer pra ficar jogando o meu jogo antes de todo mundo o dia inteiro?

Primeiramente, não é tão simples e banal quanto se parece. A pessoa terá mais destaque se ela já entrar entendendo que não é “apenas jogar” a responsabilidade delegada a ela, já que é MUITO comum (inclusive do pessoal de fora) não entender o funcionamento dessa área.

Teste em software tem o objetivo de encontrar defeitos que podem causar falhas e corrigí-los, garantindo assim uma boa qualidade do produto.

Em resumo: testar envolve pegar tudo que o jogo oferece e garantir que tudo está rodando como era esperado. Isso garante que o jogo não tenha problemas após disponibilizá-lo para o público, como recentemente vários jogos de PC estão tendo problemas com ports de má qualidade. Batman: Arkham Knight e Tales of Symphonia são alguns dos exemplos mais recentes.

Mesmo em alguns destes casos não ter sido a falta de boas práticas de teste o único problema, ele é sim um dos passos mais importantes e, em algumas situações, o mais crítico processo que deve ser rigorosamente testado em qualquer produto das mais variadas áreas, a fim de evitar vazamento de informações por falha de segurança, gasto excessivo de dinheiro ou até acidentes fatais.

E claro: testar não requer só pegar o jogo e jogar. Tem que observá-lo, analisar, verificar erros encontrados, anotar, reportar ao time para consertar o defeito e recomeçar. Nisso, você acaba jogando a mesma parte de um jogo muitas, muitas, muitas, muitas, muitas vezes a ponto de não querer o ver nem pintado na sua frente.

Se é tão importante assim, o que o chefe tem na cabeça para colocar uma função tão importante em pessoas não capacitadas ou despreparadas?

Não, o líder da equipe não enlouqueceu e ele não está atirando no escuro por desespero em encontrar pessoas pra testar seu jogo. Aqui temos uma pergunta com resposta bem simples que vou explicar em dois principais motivos:

  1. Pessoas sem experiência são ótimas “massinhas de modelar”: quem trabalha em TI e outras áreas sabe muito bem que um funcionário sem experiência na área tem muito mais facilidade de aprender e se adaptar às formas que uma empresa trabalha do que quem já está há 10 anos no ramo e agora está buscando novas oportunidades. Com isso, é possível capacitar esse funcionário de maneira bem mais fácil, podendo oferecer cursos ou apenas a experiência com os projetos envolvidos.
  2. O jeito que eu testo não é o mesmo jeito que você testa: Pessoas tem personalidades, gostos e modos diferentes de agir. O defeito que o Fulano de exatas encontra logo de cara é diferente do defeito que o Cicrano de humanas encontra, porque ambos tem cabeças diferentes, modos de pensamento diferentes e possuem metodologias diferentes. Logo, um encontrará um bug que possivelmente o outro não encontraria sozinho.

E quantas pessoas são necessárias para testar um jogo?

A resposta é bem clichê: depende, pois temos equipes profissionais só para testes e equipes que o próprio produtor é o “faz-tudo”. Pense principalmente no quanto você quer que seu jogo seja funcional, seguro e o quanto de dinheiro está disposto a investir por isso. Se o seu jogo utiliza ou armazena informações importante de um jogador, é bom desembolsar um bom valor para garantir um serviço bem pesado em segurança para que ninguém tenha seus dados vazados.

Caso este seja seu primeiro projeto e ele possui uma equipe pequena, comece com um ou dois testers e verifique as necessidades ao longo do tempo. Caso queira uma visualização mais abrangente e ache necessário economizar com marketing (não aconselhável, caso busque retorno financeiro) ou gastos para contratar um tester fixo, a melhor solução é criar um serviço de beta test e pedir frequentemente feedback dos usuários.

Posso me especializar na área, assim como os outros?

Sim! Existe uma instituição que cuida das boas práticas para teste de Software e oferece certificados para se tornar um tester reconhecido por eles. O International Software Testing Qualification Board (ou ISTQB) possui uma filial aqui no Brasil (BSTQB) e oferece simulados / material de estudo gratuitamente e em português para quem quiser se inscrever para a prova, além de oferecer simulados para auxiliar na certificação.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Hugo Varani’s story.