OPINIÃO: o ativismo do radfem é incoerente… e o trans também

Nada escrito aqui possui embasamento teórico e deve ser levado como pensamento construído de um raciocínio lógico irrefutável. Havendo falhas no discurso, o que eu mais aceito são críticas construtivas que me façam aprender.

Eu acho incoerente feminista radical criticar transsexual por reforçar estereótipo de gênero, enquanto a própria pessoa criticando não quebra o padrão da performance de gênero. Não estou dizendo “Feministas radicais estão erradas e sua ideologia é contraditória do início ao fim”, NÃO! É um dos discursos que eu não entendo, apenas, do feminismo radical atual. Por atual eu me refiro à esse praticado agora, do discurso e vivência que é diferente em muitos aspectos para ser comparado com as teorias da segunda onda feminista. E eu tenho muitos pensamentos que vão de contramão ao ativismo transsexual também. Eu acho um alimento ao capitalismo o consumo de hormônios e cirurgias, desnecessárias de um ponto de vista da saúde. Se seu corpo está em perfeito estado, você não deveria precisar de um silicone no peito para se sentir melhor; trans ou não — além da história do cérebro feminino vs masculino que não engulo.

“Em uma sociedade que lucra na sua baixa autoestima, gostar de si mesmo é um ato de rebeldia” (tradução livre)

Então, enquanto o ativismo trans defende que seu corpo está errado e só modificando ele você será feliz, eu mantenho meu pé atrás. Porque é exatamente isso que o capitalismo quer, muita insatisfação com a sua aparência. Muita disforia, muita autoestima no lixo, muita gente se sentindo fora do padrão e buscando meios de compensar consumindo. Eu tenho algo contra toda estética que não serve ao conforto; que simplesmente, não serve além de ser estética. Cirurgia é perigoso, cirurgia é última instância. Pessoas morrem em mesas cirúrgicas. Contudo, não pensem, nem por um segundo, que fazer transição é adquirir privilégio, ou porque foi lido homem, recebeu socialização masculina, ou porque está se tornando um. Brasil é o país que mais mata pessoas trans. Transicionar não apaga seu passado e te faz renascer naquele gênero, existe um doloroso enfrentamento da família, amigos… Eu não sei o que pode vir a ser no futuro, mas agora, o resumão da coisa toda fica naquela frase “não tá fácil pra ninguém”.

Para pensar sobre o ativismo trans de uma forma crítica, indico o documentário Transgender Kids: Who Knows Best? da BBC.