Bingo é um bingo!

Diferentemente do cinema argentino que rotineiramente apresenta filmes de alta qualidade, o cinema brasileiro é tímido. Um filme bom aparece na média de 8 em 8 anos. Digo isso porque o último grande filme nacional que vi foi Tropa de Elite, antes foi Cidade de Deus e Central do Brasil.
A espera acabou. Está nos cinemas Bingo, que retrata a história do ator que viveu o palhaço Bozo nos anos 80. Não é um filme impactante e dilacerante como os acima, mas é um filme bem construído que prende a atenção do espectador.
Não sei qual será a reação daqueles que não viveram os anos 80. Talvez tenham uma percepção diferente da minha, um tanto nostálgica. Eu era criança na época e costumava assistir Bozo sem saber o que realmente estava assistindo. A minha inocência não captava as piadas maliciosas do palhaço. De repente, as crianças nos anos 80 eram, de fato, crianças, pois o medo não era um sentimento tão presente. Era um outro mundo. Sem tantas neuras, sem tantas imposições.
Não vou entrar em detalhes, pois trata-se de filme que acredito que merece ser visto. O conflito da fama, a ânsia de reconhecimento do artista, o anonimato e o esquecimento, o personagem que se torna maior e aprisiona a pessoa. Todos esses temas são bem explorados. Tenho que ressaltar que Vladimir Brichta está exuberante no papel. Ele é o filme. Atuação irretocável do personagem e seus excessos, acidez, amor, dedicação, angústia e desespero.
Bingo é um bingo!