Pelas ruas do centro do Rio

Andar pelo centro do Rio sempre foi caótico. As ruas apertadas, calçadas esburacadas e gente saindo pelo ladrão, isso sem falar do camelô que abre seu estande no meio do caminho. Estande é meio de dizer, porque se trata, no mais das vezes, de uma tábua de madeira apoiada num caixote onde as mercadorias são expostas.
Os ambulantes são parte da paisagem carioca. Antigamente, era comum vê-los vendendo DVDs de filmes piratas (taí um filão que o Netflix e o Youtube conseguiram acabar) e produtos chineses falsificados e vagabundos. Todavia, com a crise econômica, o número parece que explodiu exponencialmente. Pior, a moda agora são as vendas de mercadorias roubadas.
O tipo mais comum de camelô hoje no centro do Rio são aqueles que vendem balas e chocolates por preços irrisórios, algo como 3 chokitos por R$ 1. Em rápida pesquisa na internet, uma caixa de trinta unidades é vendida por quase R$ 40, o que dá R$ 1,33 a unidade. Alguma dúvida de que se trata de mercadoria fruto de roubo de carga?
É um ciclo criminoso. Os caminhões são roubados nas vias de entrada do Rio, a Avenida Brasil e Linha Vermelha, depois a mercadoria é escoada em feiras do crime nas comunidades e camelôs espalhados pela cidade. A ironia da história é que o cidadão que é vítima da violência é também o agente financiador da violência que se volta contra ele.
E o Poder Público? Bem, o Estado é completamente omisso. Aliás, a segurança em algumas partes do Rio foi terceirizada. Isso mesmo, terceirizada. Quem faz o patrulhamento ostensivo são policiais em horário de bico remunerados pela Federação de Comércio e outras entidades. Milícias institucionalizadas. Sintoma da falência total do Estado. Não fosse isso, estaríamos nos tempos do Código de Hamurabi. Talvez fosse melhor…