Sou a favor da reforma da previdência*

Não gosto do Temer, jamais votaria nele, nem como vice. Todavia, a reforma da previdência é necessária por uma simples razão: o atual sistema é insustentável.

Ao contrário do que muita gente pensa (de forma equivocada), o sistema de previdência não é de capitalização, onde as contribuições efetuadas estão vinculadas a uma conta, cujo dinheiro arrecadado será convertido no provento de aposentadoria.

O sistema brasileiro (e da maioria dos países) é o de repartição. Funciona no pressuposto de que os mais jovens financiam a aposentadoria dos mais velhos. Quando chegar a vez deles, novos jovens chegarão ao mercado de trabalho e suas contribuições ajudarão a pagar a aposentadoria dos que se retiram do mercado.

Isso lembra alguma coisa? Bingo! É uma pirâmide. O topo só se sustenta enquanto houver novos entrantes para a base. Aí que mora o perigo. Daqui a 30 anos, a demografia do Brasil mudará. Haverá mais velhos e menos jovens. A pirâmide atual virará um barril até se tornar uma pirâmide invertida.

O Japão é um país assim, entretanto, trata-se de uma nação rica e desenvolvida. Não é o caso do Brasil e seus milhões de problemas socioeconômicos a serem resolvidos. O Brasil é a cigarra do conto infantil. Não se preparou para o inverno. Mas quais seriam as alternativas à reforma?

A primeira é não fazer nada. Como o tempo é senhor da razão e dinheiro não nasce em árvore, o sistema quebrará. Vale lembrar que no futuro próximo haverá menos pessoas na ativa e mais idosos vivendo mais. Simplificando: menos dinheiro entrando e muito mais dinheiro saindo. É a maldita demografia! Milhões de brasileiros, na fase mais frágil da vida, na rua da amargura, como os aposentados do Estado do Rio de Janeiro.

Outra alternativa é aumentar ainda mais a carga tributária (que já suga boa parte da riqueza produzida pela sociedade) para financiar a previdência. Mas a previdência é superavitária! Quem acredita nisso, acredita em Papai Noel, esqueceu as aulas de matemática do colégio, é chegado nas pedaladas fiscais mágicas do trio Arno-Mantega-Dilma ou não sabe a diferença entre Assistência Social e Previdência Social.

A reforma da previdência é um remédio amargo. Pessoalmente, não gostaria de trabalhar até os 65 anos. O meu sonho seria ganhar na loteria, pedir demissão e me mudar para Califórnia. Mas isso é irreal, tão irreal quanto acreditar que tudo vai dar certo, fazendo as coisas erradas. Certo que há casos específicos que podem e devem ser debatidos e considerados, mas não fazer nada ou ignorar que há um problema é sem dúvida a pior das escolhas.

*Publicado em 15/03/2017

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