Vender ou não vender?

Essa semana o governo Temer anunciou uma série de privatizações. A mais importante foi a da Eletrobrás. Imediatamente, o mercado reagiu e suas ações subiram mais de 40%. No dia seguinte, o governo anunciou a intenção de privatização da Casa da Moeda e a concessão do aeroporto de Congonhas.
Sem querer cair na simplificação dos estatólatras que defendem um Estado grande, notadamente, o Estado empresário, tampouco a visão daqueles que veem o Estado como o grande inimigo e tudo deve ser vendido, creio que há acertos e erros nas medidas anunciadas.
Primeiro ponto que chama a atenção é a falta de visão estratégica do governo. As atuais privatizações voltam-se unicamente para fazer caixa. Não se trata de uma medida de reorganização do Estado ou do setor. Tudo parece ser improvisado e na pressa. A atuação do Ministério da Fazenda se resume hoje a encontrar meios de estancar a sangria dos cofres públicos.
Ainda assim, a privatização da Eletrobrás é um acerto, sobretudo porque a empresa foi destruída depois do 11 de setembro do setor elétrico, a Medida Provisória 579, onde Dilma reduziu na marra as tarifas de energia elétrica e transferiu a conta para as geradoras. Talvez essa seja a maior burrice cometida na história recente do Brasil. Digo talvez, porque Dilma também fez a burrada do marco regulatório do Pré-Sal, entre outras burrices. Essa era a “especialista” do setor…
Fato negativo da privatização da Eletrobrás é que, provavelmente, será entregue de mão beijada para os chineses, que já controlam boa parte do setor elétrico brasileiro. Esse é o preço da desorganização e irresponsabilidade, mas também o caminho para que a empresa recupere a capacidade de investir. Ainda assim, é um alento que empresa não seja mais saqueada e usada para fins políticos.
Por outro lado, quanto a concessão de Congonhas tenho que discordar da medida. Essa concessão não tem sentido porque, diferentemente de Guarulhos e Galeão que demandaram grandes obras, Congonhas não tem essa necessidade. Entregá-lo para iniciativa privada é dilapidar o patrimônio da combalida Infraero, empresa que também tem o dever de administrar aeroportos que dão prejuízo nos confins do Brasil, mas que são necessários para interligação do país. Dessa forma, mais razoável seria preparar a privatização da Infraero que vender um de seus únicos ativos rentáveis.
Quanto à Casa da Moeda, sinceramente, não entendi a razão. O governo diz que dá prejuízo, entretanto, matéria do Valor desmente essa afirmação. Ademais, a empresa presta serviço relevante como a impressão de dinheiro e documentos. A única explicação é fazer caixa.
Fato que o governo passa por uma séria crise fiscal, embora haja vozes (as mesmas que com seu receituário quebraram o Brasil) que pregam que o problema é de crédito. Mas vender só para fazer caixa não parece ser a decisão mais correta.