café

hiro
hiro
Sep 2, 2018 · 2 min read

desgosto de sua quentura
contra a porcelana fria

ponto

ainda assim, porém, absorvo sua genuína escuridão
e todas as formas que se formam através dela

olhe, não me entenda mal

mas acho que temos um ponto ou outro em comum
você consegue ver também, ou estou perdendo tempo?

pra ser totalmente honesto, acho que o seu calor é poético o bastante

muitas coisas legais a seu respeito surgem através dele

bem, devo confessar:
até que admiro a sua fumaça anuviada, quase transparente
que se eleva em infinitos e rodopiantes espirais
e se dissipam tristemente pela brisa finita

dói, de alguma forma?

acho que sei muito sobre a perda
mais ainda sobre transgressão

quem deixou o vento levar a sua essência?
(quem deixou que o vento levasse a minha?)

temos um ponto ou outro em comum, reparou?

se você não queimasse a minha língua
se você não me marejasse os olhos
se você não fosse quente

mas você queima
você me mareja
e você é

meu sopro gélido te danifica

você não me disse
mas não precisava dizer

erro meu

nossos pontos em comum não são nossos pontos perfeitos

eu deveria te amar pelo o que você é
e você deveria me amar pelo o que eu sou

inteiramente, nada pela metade

espere

podemos tentar outra vez

por que não tentamos
de novo? de novo?
de novo? e de novo?

mais um pouco

mais uma vez

perco-me em seu ardor imperativo
em sua beleza densa
feita de fumaças que embaçam as minhas lentes

não consigo te ver
não consigo me ver

onde estamos?
quem somos?

o que nos tornamos?

nos perdemos, finalmente?

como faço para
voltar atrás?

como faço para
deixar de tentar me encaixar
onde não me encaixo?

como faço para
não te magoar?

como faço para
dizer que acabou?

como faço para
ser justo comigo?

para ser justo contigo?

me desculpe

mas se o café é quente
e se tem leite na geladeira
por que perder tanta essência?

às vezes é melhor seguir em frente

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    “i’m a garden of a single rose blossoming in infinite ways.”