Aging Well — Como envelhecer mais saudável e feliz

Por Mauro Ferreira.
Muitos ainda creem que reduzir os níveis do colesterol e de estresse nos farão envelhecer melhor. Entretanto estudos já comprovaram que essas variáveis não são tão importantes quanto se imaginava. O estudo Harvard Study of Adult Development, que desde a década de 30 seguiu 800 homens e mulheres desde a adolescência até a velhice buscou pistas sobre os fatores mais importantes para uma longevidade feliz e saudável, surpreendeu os próprios investigadores pelos seus achados.
O psiquiatra George Vaillant, diretor emérito do estudo, se disse muito surpreso com a importância de algumas variáveis encontradas, entre elas fazer amigos, brigar para reduzir a cintura e extinguir seus cigarros para sempre. Um dos pontos que também surpreendeu o pesquisador foi que mesmo pessoas que viveram muitas situações de estresse envelheceram muito bem. Segundo ele, a maneira como se lida com o estresse é muito mais importante do que o estresse em si.
O estudo destacou sete fatores que deveriam ser atacados antes dos 50 anos para promover um futuro envelhecimento saudável, e sobre os quais temos um controle pessoal. São eles a manutenção de um peso saudável, a interrupção do hábito de fumar, redução do abuso de álcool, exercícios regulares, educação contínua e busca constante de conhecimento, saber lidar com problemas de maneira saudável (fazer dos limões uma limonada), e manter relações sociais fortes (incluindo um casamento estável), mesmo sendo necessário muito trabalho ou mesmo terapia.
Segundo o Prof Robert Waldinger, diretor atual do estudo, “A descoberta surpreendente é que nossos relacionamentos e o quanto estamos felizes em nossos relacionamentos tem uma influência poderosa na nossa saúde”, e complementou, “Cuidar do seu corpo é importante, mas cuidar de seus relacionamentos também é uma forma de autocuidado. Isso, penso eu, é a revelação.”
O estudo revelou que os relacionamentos próximos, mais do que dinheiro ou fama, são o que mantêm as pessoas felizes ao longo de suas vidas. Esses laços protegem as pessoas dos problemas da vida, ajudam a atrasar o declínio mental e físico e são melhores preditores de vidas longas e felizes do que a classe social, o QI ou mesmo a influência genética.

Os pesquisadores também descobriram que a satisfação conjugal tem um efeito protetor sobre a saúde mental das pessoas. Pessoas que tiveram casamentos felizes até seus 80 anos relataram que mesmo apresentando dores físicas não tinham mau humor, ao contrário daqueles que tiveram casamentos infelizes, que apresentavam mais dores emocionais e físicas.
Segundo Waldinger, a solidão é tão poderosa quanto fumar e beber no tempo de vida das pessoas. Os pesquisadores também descobriram que aqueles com forte apoio social experimentaram menos deterioração mental à medida que envelheceram.
Uma vez que o envelhecimento se inicia ao nascimento, a grande recomendação dos pesquisadores é que as pessoas cuidem de seu corpo em cada fase de sua vida como se você precisasse dele durante 100 anos para terem um envelhecimento saudável e feliz.
Pela rapidez do envelhecimento da população brasileira torna-se de fundamental importância o estímulo às atividades sociais para os seniores, assim como a criação de espaços de convivência, de atividades físicas e culturais, e da ampliação das oportunidades de trabalho, para que tenhamos uma população produtiva e mais saudável num futuro cada vez mais próximo.
Ref:
Good genes are nice, but joy is better. http://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/
Vaillant, GE; Mukamal K. Successful Aging. Am J Psychiatry 158:6, June 2001
Originalmente publicado no site Hype60+ por Mauro Ferreira.
