No dia dos trabalhadores, um debate necessário: a situação do Mercado de Artesanato de Ipirá!

Ontem (30/05) participei de uma roda de conversa com algumas das trabalhadoras e trabalhadores do Mercado de Artes, entre tais artesãs, donos de bares e restaurantes, além de alguns jovens estudantes locais, também preocupados com os 5 meses que se arrastam desde o trágico acidente que levou às chamas o Mercado Municipal de Artesanato de Ipirá.

Mas meu texto não é apenas um relato pessoal da tragédia e da roda, é uma forma de manter vivo o debate e a resistência frente ao poder público e municipal que até então se ausentou de um debate aberto e sincero com a população, sobretudo com os maiores interessados.

Pois bem, são CINCO MESES! CINCO! E apesar dos muitos boatos espalhados ao vento, o incêndio parece ter sido motivado pela fiação do Mercado. O mercado é responsabilidade do município, logo o incêndio é responsabilidade do poder municipal. Sendo assim, eu como amador em causas jurídicas, pergunto: não seria respeito e lei a indenização de todas e todos atingidos pelo incêndio? A prefeitura (seja qual gestor esteja no momento) não deveria minimamente prestar atendimento a quem trabalhava no Mercado e está desassistido pelo poder municipal?

Parece que quem é responsável não percebe que quem trabalhava no mercado dependia dessa renda, que suas contas, suas vidas, o que come, o que bebe, o que veste, filhos, família, absolutamente TUDO está ligado a essa função, e ficar sem essa renda é um atentado as suas vidas, as existências dessas pessoas!

Se o prefeito, a Câmara e suas secretarias (de Cultura e de Assistência Social essencialmente) estão preocupadas com a situação, em solucionar o problema, tenho duas soluções:

  1. CONVOQUEM UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA! Chamem os comerciantes e toda a população para debater dentro da Câmara ou em Praça Pública os problemas e apresentar possíveis soluções. Abram o microfone a quem trabalhava no mercado, a juventude, a toda população. Deixe o povo falar!
  2. ARRUMEM UM LUGAR PROVISÓRIO PARA QUE ESSAS PESSOAS POSSAM TRABALHAR! Enquanto não se resolve o problema, é preciso encontrar uma forma de manter a renda dessas famílias, e não é doando cestas básicas que conseguirão isso!

O debate é longo, e é preciso, por último, fortalecer mais um ponto: o Mercado de Artes é patrimônio histórico, é memória social e cultural; o prédio faz parte da história da Feira Livre, tem que ser tombado pra ontem e não pode ser substituído por uma “concha acústica” ou ser transformado “numa mera praça moderna”. Esse ego inflado do prefeito de querer “modernizar” tudo com base em sua cabeça, sem projeto de responsabilidade e análise de impacto urbano, somente por interesses privados, seja universidade que pensa em se instalar em Montessoris da vida ou parentes com imóveis situados na região, tem que diminuir (o ego, se você perdeu a conexão). Não dá pra esquecer que os afetados é toda a população ipiraense. Pra finalizar, esse argumento de que o “mercado era ponto de drogas e sexo” não justifica sua destruição ou manutenção do estado em que se encontra, seguindo essa premissa, a cidade, o país e até o congresso nacional seriam demolidos imediatamente! Essa argumentação só reforça uma necessidade: Revitalização e recuperação do prédio com projeto cultural e social de acompanhamento de seu funcionamento.

“Lutem por nossa história, lutem por essas vidas! Lutem!”

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