Necessidades

Embora eu pareça significante para as pessoas do meu convívio, me sinto extremamente insignificante. Ainda não me descobri como pessoa, ainda não sei quais são meus planos de vida. Não sei se quero realmente me casar, ter filhos, uma vida “normal” como todo mundo tem. Mas de uma coisa eu sempre soube — eu amo a Música — mais do que qualquer outra coisa, eu cresci nisso, eu respiro isso. Pode parecer estranho mas isso me incentiva a continuar vivendo nesse mundo onde as pessoas se esqueceram como ser humano.

Percebi que estou sozinha, mesmo com pessoas do meu lado que me amam (eu também amo vocês) e me apóiam. E que por mais que digam que estão do seu lado, dependendo da sua necessidade passam a não te compreender.

Eu tenho necessidades das quais ninguém compreenderia além de mim mesma. Me perdoem, mas preciso cometer tal ato a fim de me sentir completa, tenho que suprir meu desejo. É como se eu fosse um vampiro e alguém estivesse ferido na minha frente, preciso beber esse sangue que me alimenta, por mais que isso custe a vida de outra pessoa, é incontrolável. Eu sou um monstro. Preciso sugar para saciar meu desejo. E o pior, não é qualquer sangue, é aquele sangue, aquele sangue que arde e tem nome. Talvez seja apenas uma febre momentânea, que depois será esquecida.

Sem isso não existe razão para lutar e continuar a viver lutando por um espaço no mundo.

Necessidades precisam ser supridas, todas elas.

E é dentro dessa minha insignificância que eu me deparo que meus pensamentos e sentimentos são apenas ficção — este texto, por exemplo, não é inteiramente real— de um sonho impossível, de desejos não realizados, de coisas mal resolvidas, — que é uma coisa que eu detesto, por sinal — tenho apego.

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