Textículo bestículo sobre a Saudade

Hoje eu pensei e falei muito sobre a saudade — um sentimento que mexe de maneira significativa conosco. A saudade, assim como tudo na vida, tem seu lado bom e seu lado ruim. Tá! Mas e a novidade?! Nenhuma! Não quero ser inventivo, porque a saudade é tão trivial, tão cotidiana, tão constante. Além disso, muitas outras pessoas melhores que eu, diga-se de passagem, já versaram brilhantemente sobre a saudade. Ou seja, como sempre costumo dizer: não há nada de novo sob o sol. Mas há sempre o que dizer, afinal de contas, as possibilidades da linguagem são inesgotáveis.

As pessoas costumam dizer que só há uma certeza na vida: a morte. Discordo. A saudade também é uma certeza, pois todo mundo a sente, por menor que seja. A saudade nos move, nos inquieta, nos faz mudar e nos faz ir e voltar. As emoções ficam à flor da pela por conta dela. Quem não se arrepia louco de saudade ao lembrar do cheiro da comida favorita quando se está longe de casa? Quem não se contorce todo de saudade ao sentir o cheiro que traz à memória o primeiro amor? Essa é a parte boa. E isso a gente quer que dure, que permaneça.

No entanto, ela é, junto com a imprudência, a responsável pela mensagem que é escrita mas não deveria ter sido, do mesmo modo em que é responsável pela neura que nos acomete em momentos inoportunos — “será que ele sente a minha falta igual como eu sinto a dele?”. Coisas as quais considero ser a parte ruim.

Como já disse Quintana, “a saudade é o que faz as coisas pararem no Tempo”. Mas será que a nossa vontade é fazer com que algumas coisas parem no tempo? Eu posso falar por mim e digo que há coisas as quais eu quero que corram — mas corram muito — e se transformem em lembranças remotas, principalmente porque tem horas que a gente fica de saco cheio da porra desse sentimento e tudo que menos queremos é sentir saudade.

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