Eu acabei de ingerir uma dose quase letal de medicamentos (pesquisei com antecedência qual seria o limiar de letalidade estimado). Escrevo esse texto para, caso algo ocorra, não partir sem deixar nada para trás.

Queria partir com a consciência de que parto de uma decisão egoísta, porém minha. Estou morrendo de medo, medo das dores, medo do que há por vir. Porém, é uma decisão que tomo e, como sabem, arco com as próprias consequências de meus atos.

A culpa não é de ninguém. 
Eu me sinto solitário, eu me sinto distante, eu me sinto além da ajuda. Não há quem possa ser culpado nessa situação.

Agradeço a todos os meus amigos, seus esforços generosos e tão amáveis.
Eu amei demais nessa vida, e amar é um fardo delicioso. Espero encontrar a todos na próxima.

Não guardo mágoas de ninguém. Estou apenas muito cansado, muito sozinho e muito procurando alguma coisa que nem sei quem é.

Me perdoem.

Com amor, Ian.