Uma Noite Vazia

Ian Carvalho
Sep 2, 2018 · 2 min read

Não sei sequer por que estou escrevendo isso. Na verdade, leitor, se espera que em meio a essa história tenha um final racional e fechado, veio a o lugar errado. Não crio nenhuma responsabilidade em cima disso que escrevo. Não sei quando vai acabar; na verdade, não sei nem por que começou.

Tirei um cigarro do bolso e o acendi. Não me lembro bem, mas a saudade me mutilou quando vi as fotos. No mesmo dia, pela noite, vi o Kierkegaard no café da esquina. Foi engraçado. O mundo parecia tentar, por meio de um filósofo, explicar que a vida só te entrega os problemas. A responsabilidade de resolvê-los é sua. Era óbvio que estava alucinando de tanto uísque barato.

Aquele momento me pôs a pensar.

Não sinto pena do Bukowski. Ele era um bom homem. Na verdade, penso que, no fim de sua vida, estava satisfeito. Talvez não feliz, mas satisfeito. Ele parecia compreender que os problemas e os acasos são seus e somente seus e, na verdade, os dois te abandonam e você está sempre por conta própria. Nunca foi sobre fazer por merecer. Sempre foi sobre não desistir frente ao penhasco. E é isso que importa.

É estranho como esse tipo de pensamento me vem a cabeça quando estou sozinho. Não há nenhum mal nisso, mas sempre parece haver.

O homem que aceita seus momentos monótonos caleja mais fácil os problemas que possam vir. O cigarro estava forte e tossi. A dor na garganta me lembrou que estou vivo.

A garganta e o peito manifestam suas dores sempre que convém. Às vezes são dores físicas, mas, na maioria dos casos, são sentimentos que doem.

Desculpem-me se parece não haver um rumo no texto. Escrevo isso de coração, logo não me limito muito. O tema central de minhas palavras é a dor em todas suas formas.

Deveria voltar para casa. Tomar um banho. Mereço um. Estou podre, no momento. Estou fedendo. Não só fisicamente, mas de alma.

Ian Carvalho

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não sei se tenho cara o suficiente para dizer que sou escritor