SOMOS TODOS ACHISTAS?

Começo este humilde e desimportante texto com um chamado à reflexão: será que não somos o que criticamos?

Muitas ofensas tenho presenciado em relação ao nosso querido país e aos que têm a incumbência de governá-lo. Concordo que é um grande absurdo o que acontece nas instâncias públicas de governança e sei que o nosso conglomerado, chamado Brasil, está longe de ser exemplo em diversas questões.

Mas esta cólera evidencia que os indivíduos da espécie humana, colocando-me entre tudo isso, sofrem com o problema de não olhar para a própria vileza e pobreza moral, como aludia o poema em linha reta, de Fernando Pessoa. Ingenuidade é achar que o nosso país chegou a este ponto apenas por vaidade de terceiros. Basta analisarmos o nosso próprio comportamento e encontraremos respostas para o panorama atual, evidenciado pela forma como procedemos nas questões corriqueiras.

Por trás das críticas extremadas e rudes, estão aqueles se acham dotados de pureza angelical, ao ponto de saírem distribuindo descrédito em relação aos colegas de vida, que se acham doutores da conduta reta, acusando o próximo como origem de todos os problemas existentes, que se acham portadores da verdade cósmica, molestando opiniões que não façam parte do seu campo consciencial. Todos eles reis do achismo. Todos nós, quiçá.

Nestes novos tempos, somos chamados ao processo de empatia, de nos colocarmos sob diferentes luzes e ângulos para entendermos a realidade integralmente, não mais alimentando inverdades e pessimismo. Assim, passaremos do grau de achistas para o de pessoas que tendo o conhecimento de si, como clamava Sócrates, saberão que também são o mal do mundo.

Tenho a esperança de que logo nos tornaremos lúcidos, mais cândidos.