A minha metade

Quando eu era pequena, a minha mãe me contou uma história de que todos nós nascemos com um irmão gêmeo. Não um irmão de sangue. Um irmão de alma. Ele pode ser a sua melhor amiga, algum primo ou prima seu, até a sua própria mãe. Mas existe também aquele irmão de alma que todo mundo procura. Aquela alma gêmea.

Percebo que ele é a minha alma gêmea quando começa a gostar e odiar as mesmas coisas que eu, e acho uma graça. Ele não é parecido comigo, nem um pouco. O admiro por tentar prestar atenção quando eu começo a contar sobre o filme que assisti, enquanto ele só pensa no jogo de futebol do seu time na próxima semana.

De tanto ouvir falar neles, ele acaba meio que gostando dos filmes. E eu percebo isso quando estou gritando com o juiz por não dar falta para o time adversário. Quando estou triste, ele está triste. Quando estou feliz, ele está feliz.

Ele entende o meu jeito melancólico, mas ainda não entende as minhas variações de humor. Eu tenho medo, e ele não luta. Eu me isolo para aliviar a dor, ele bebe.

Quando terminamos pela primeira vez (resultado das minha variações de humor), adivinha? Eu me isolei, ele bebeu. Eu tive medo, ele fugiu. E continuou assim. Estamos ligados.