Pós você

Eu poderia mentir e dizer que estou bem mas já chega de mentiras, estou em uma situação que não aguento mais nenhuma palavra tua. Acordei hoje com a aparência de que não havia tomado banho a meses, a ressaca só não era maior do que o nojo que eu sentia de mim mesma. A noite passada foi um erro, aquele tipo de erro que eu tenho vergonha só de lembrar. Por mim, eu passaria o resto da minha vida naquela cama, pois apenas um raio de sol era uma tortura naquela hora.

Já fazem quatro meses desde que nós terminamos. Quatro meses pós você. Quatro meses que eu aguentei meus pais me dando “parabéns” e dizendo que eu finalmente enxerguei que esses três anos juntos foi um erro. Quando isso passa? Tipo, quando a tua presença vai parar de me doer tanto? Graças a deus aqueles anos no teatro da escola serviram para alguma coisa, eu sabia fingir muito bem não me importar com você dando em cima das minhas amigas. Elas me levaram para a boate de sempre com o mesmo propósito de me fazer esquecer você.

Pedi a bebida mais forte que havia e não me importei com o alerta do barman de ir devagar e muito menos com a cantada barata que ele me mandou. Eu era boa em passar vergonha, sabia que ficar bêbada não faria a menor diferença mas estou aceitando qualquer alternativa neste momento. Dane-se. Acho que me perdi no exato momento em que comecei a dançar a minha musica predileta com um estranho e sem dar ouvidos ao papo furado dele. “Será que ele viu a minha frase no Facebook? Se viu ele vai aparecer”. Apareceu.

Sabe quando te convidam para uma festa e você faz um milhão de expectativas sobre o que pode acontecer? Tipo, que você ia me ver dançando e ia dizer que eu estava linda, ia contar como estava a faculdade e que ganhou um cachorro de natal, ia dizer que sentia a minha falta tanto quanto eu e iria me beijar ali mesmo. Que coisa boba. Eu já deveria saber que isso não aconteceria, mas alguma parte de mim ainda queria acreditar.

Quem era aquela garota do seu lado? Porquê você sorria tanto pra ela? Fingi não me importar. Mal estava conseguindo ficar em pé, mas aguentei firme. Escutei a voz de uma das minhas amigas dizendo que era para me sentar, não dei ouvidos. A música estava alta, do jeito que eu gosto, quem sabe assim eu não consigo ouvir meus próprios pensamentos? Comecei a beber mais, eu queria te provocar, queria que me visse. Tentativas em vão.

Quatro horas da manhã e você nem se deu conta de que eu estava naquela festa. A prova concreta foi quando eu vi você ficando com uma garota qualquer bem na minha frente. Tudo o que eu queria era que você sentisse essa dor que eu senti naquele momento. E como eu me sentia uma completa idiota. Deus do céu, o que aconteceu com a gente? Como chegamos a esse ponto? Para onde foram todas aquelas promessas de um futuro para nós dois? Ei, só lembra que um dia você me amou, porquê apesar de tudo eu ainda te amo, IDIOTA.

Fim de noite, rímel borrado, salto quebrado e nada de você.

Acordei rezando para que tudo aquilo não passasse de um pesadelo e que você estaria na cozinha preparando o nosso café da manhã. Nunca foi. As fotos da festa já estavam no Facebook e meu celular estava lotado de chamadas perdidas da minha mãe. Tomei um banho torcendo para que toda aquela sujeira saísse do meu corpo e te levasse junto. Minha cabeça doía muito, mas não mais que meu coração. E assim eu torço para ter uma vida melhor pós você.