Deprê coletiva

Sempre fui pressionada a fazer as coisas muito cedo motivada pelos meus pais (pais esses que aos 18 por exemplo já trabalhavam e já traziam coisas pra dentro de casa). E eu, de fato, consegui fazer tudo certinho até entrar na faculdade. Nesse ponto aconteceram algumas coisas: a) ser reprovada pela primeira vez em alguma coisa; b) começar a me enrolar com diversas coisas e deixar de cumprir metas; c) não conseguir fazer as coisas no tempo certo (como me formar); d) estar ficando “velha” e ainda não ter arrumado um emprego além de estar sem perspectiva de um que de fato me sustente o suficiente. E esse último de me sentir velha não vem com ser velha de idade, mas muito daquele complexo de que várias pessoas por aí tem até menos e já fizeram milhões de coisas que eu não fiz e provavelmente não farei.

Aliado a isso vivemos num modelo de faculdade pública que é o mesmo há mais de 30 anos (sem perspectiva de mudança) e não motiva ninguém a aprender e sim a passar e fazer as coisas de qualquer jeito. Além disso tem o fato de que não é só você que tá mal e cansado, mas todo mundo à sua volta parece estar numa depressão profunda que só de entrar no prédio da pra ver as pessoas cabisbaixas, cansadas e por aí vai. Inconscientemente isso já deixa todo mundo mal. O mal estar coletivo vai somando ao pessoal pela própria energia que o lugar vai absorvendo.

Os outros problemas pessoais que todo mundo tem, sejam financeiros ou pessoais (que não vem ao caso aqui) nem importam porque todo o resto já frustra o suficiente. O que fazer, então? Como sair dessa maré? Como levantar diariamente em busca dos nossos objetivos?

“Será que eu não vou mais aguentar?
Será que eu não tenho onde ficar?
Será que vou suportar saber que tudo em minha volta é falso e sujo?
Será que vou continuar a carregar nas costas o peso do mundo?
Como é que eu consigo me acalmar, sem nunca explodir, chorar, gritar?
Como podem ser tão maus?
Humilham, mentem, mudam o rumo da minha vida
Só porque eu não sou igual
E ocupo todo o tempo sarando feridas
E eu quero viver sem ter que dar explicação
E eu quero tirar espinhos do meu coração
Me deixa pensar que assim eu vou sobreviver
Me deixa sonhar, amar, me auto-conhecer”
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