Roteiro: Steven T. Seagle
Desenho: Becky Cloonan
Arte-Final: Ryan Kelly
Cores: Brian Miller
Capa: Joshua Middleton
Fazer propaganda, de qualquer assunto, pode se tornar algo bem chato.

E esse é o principal problema da história de American Virgin #6. Não sei se Steven T. Seagle é religioso, nem se acredita nas palavras que coloca na boca de Adam, mas sempre que sua narrativa caí para propaganda religiosa a qualidade da revista baixa bastante.
Não que falar sobre religião seja chato — Punk Rock Jesus está aí para provar que religião pode ser discutida de uma maneira muito boa –, a queda, na realidade, deve-se a incapacidade de Seagle em criar um discurso bacana.
Na verdade, os discursos de Adam parecem todos muito prontos. Falta um algo a mais. Falta um atrativo, aquilo que fuja do que a Igreja já propaga. Steven T. Seagle tenta dar uma roupagem para Adam, mas ele falha.
Os elogios feitos ao personagem não são críveis.
Não fosse o discurso, os diálogos de Seagle seriam bons. Eles tem como mérito a agilidade. Mas, como a história não avança, os diálogos acabam sendo muito mais “papo furado”, do que um recurso para se contar uma história.
Os desenhos de Becky Cloonan são bastante irregulares.

Em quase todos os aspectos ela alterna entre erros e acertos. Quando Cloonan acerta, ela é uma grande desenhista, mas quando erra ela é péssima. Falta um meio termo.
Suas anatomias são estranhas, e só funcionam em alguns ângulos. Em outros os personagens tem aspectos diferentes, seja no peso, na altura, e, as vezes, até mesmo no formato dos rostos.
Suas expressões passam pelo mesmo problema. Seu desenho é sempre exagerado, em certos momentos isso funciona muito bem, fazendo com que o leitor sinta a emoção do personagem. Em outras passagens, o desenho é apenas ridículo.
Mas justiça seja feita, desde a número um, Becky Cloonan melhorou bastante. Diminuindo — até certo ponto bastante — os momentos de “erro” dos desenhos. O único ponto em que a desenhista não consegue melhorar, é na parte de deixar os personagens sensuais.
A arte-final de Ryan Kelly é muito boa. A melhor da série, até o momento. Kelly consegue complementar a arte de Cloonan, e talvez, seja um dos responsáveis direto pela melhora — significativa — no trabalho de anatomia e expressões dessa edição.
Pela primeira vez na série as cores de Brian Miller merecem um destaque. Sua paleta e estilo de colorização continuam iguais. Mas existem alguns momentos que ele decide destacar um elemento, e isso faz toda a diferença. Dando um impacto visual, que nem mesmo roteiro conseguiu.
A capa de Joshua Middleton é chamativa (sexo vende), e também muito bonita. Mas não consigo pensar em como ela resume a edição.
American Virgin #6 é mediana, assim como o trabalho de seu roteirista e desenhista.

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