Aniversário, praia, uma vida diferente
A namorada do meu primo, de quem eu já falei aqui pois foi quem fez minha tatuagem, faz aniversário de quatro em quatro anos. Como devem ter advinhado, se são minimamente inteligentes, ela nasceu no dia 29 de fevereiro. E muito embora durante três anos isso seja um problema, no quarto de certa forma tal "azar" se transmuta em uma grande sorte/benção.
Isso acontece devido, basicamente, você ter o direito de comemorar seu aniversário em quatro dias. Claro que essa é a minha opinião, você que nasceu neste exato dia tem mais conhecimento do que eu para emitir uma posição diferente da minha. Foi, pelo menos eu acho que foi, neste espírito que ela decidiu comemorar seu aniversário em Guaratuba, na casa que sua família mantém no litoral paranaense.
Após o convite inicial minha primeira reação foi receio. Eu não bebo, e eu não conheço de verdade a maior parte dos amigos do meu primo e de sua namorada, então como poderia me sentir a vontade dividindo quarto, e principalmente banheiro, com pessoas que são desconhecidas? Eu quase desisti de ir várias vezes por causa desse medo relativamente irracional de ter que dividir espaços "privados" com pessoas que eu não conheço. Maluquice de minha parte? Com certeza! Mas eu não seria eu se não fossem pelas maluquices.
Outra coisa que quase me fez desistir de ir foi o local em si, não há absolutamente nada no universo que eu abomine mais do que praia. Eu simplesmente odeio essa merda! É quente, é úmido, tem maresia e pior do que tudo tem areia. Areia é, com certeza, o motivo por eu odiar tanto praias. É uma questão psicológica, estou em Curitiba desde domingo à noite e ainda sinto pequenos grãos dessa substância apavorante no meu corpo. Ainda ficarei umas duas semanas me sentindo sujo e coberto por areia. Eu odeio tanto praia/areia que a época mais feliz da minha vida foi quando consegui passar quase uma década sem chegar a menos de 100 quilômetros deste tipo de lugar, enfim…

Quem foi o filho da puta que inventou a areia? Natureza, é por isso que eu te odeio!
Superei todos esses medos e receios. Tive que superar, a Cami sempre foi muito parecira comigo, não podia simplesmente ser cuzão e colocar minhas bizarrices acima de uma possível felicidade dela. Percebo que estou sendo muito convencido a atrelar a felicdade dela à minha presença em uma festa, não era minha intenção. Só acho que se ela me convidou é porque queria minha presença, e se eu fui isso a fez um pouco mais feliz. COntinua soando convencido… Ignorem este parágrafo ou, pelo menos, ignorem ele a partir da sua segunda frase. Continuando…
A viagem começou na sexta-feira à noite, por volta de 19h30 cheguei ao prédio onde meu primo mora. E quando o vi percebi que havia levado roupas demais. Eu nunca viajei sozinho, muito mneos fui para a praia sozinho, então arrumei minha mala do jeito que meus pais sempre me ensinaram a arrumar. Não vou descrever item a item aqui, mas basta dizer que eu tinha uma mala cheia enquanto meu primo tinha uma mochila semi-vazia. Fazer o que?
Por volta de 19h50 a Cami chegou com o carro com o qual viajaríamos, colocamos as coisas nele e fomos para o mercado. Depois de muitas contas, para descobrir o preço da cerveja por mililitros, chegamos a conclusão que a Heineken era a mais barata. Os três ficaram chocados com a descoberta, foi quase como ganhar na loteria… Exageros a parte, foi de fato um momento bastante feliz. Eu comprei uma Guinness*, que é absurdamente cara, mas como beberia apenas aquilo não havia grandes problemas.
*Anteriormente no texto falei que não bebo, e agora estou comprando cerveja. Estou maluco? Sou incoerente? Sim e sim. Mas a verdade é que eu bebo mas não bebo. Em Curitiba nunca bebo, pois sempre estou dirigindo. E mesmo em um final de semana onde não teria que sequer sair de onde estava hospedado eu bebi apenas 500mL de bebidas com alguma quantidade de álcool.
Após a questão das bebidas ter sido resolvida chegou a hora de decidir o que comer, e isso é um grande problema. Basicamente porque nós éramos três pessoas tentando ser responsáveis, sendo que dentro ainda somos crianças. Eu me pergunto em que idade deixaremos de achar que hambúrguer é uma refeição melhor do que uma refeição de fato? Em que idade você passa a ver arroz e feijão coomo algo mais desejável do que apenas um lanche? Quando se atinge a maturidade em relação a comida que nossos pais tem?
Pagamos e deixamos o mercado para trás, era hora de começar a viagem de fato. Meus anfitriões decidiram ir por um outro lado, não o que habitualmente vão, isso gerou o contratempo de nos perdermos. Por sorte vivemos em uma época que existe internet móvel de GPS, achamos o caminho e seguimos viagem.
A estrada foi divertida, mas apenas para quem estava no carro. Contar faria com que as coisas que aconteceram, ou pelo menos a principal coisa que aconteceu, parecer simplesmente idiota e sem graça. Por isso não vale a pena entrar em detalhes, só o que vou dizer é que muitas risadas depois nós chegamos.
Como chegamos tarde, já passava das 23h, a lanchonete que eles queria me apresentar já estava fechada. Comemos em uma outra, que era gostosa, mas provavelmente não tão boa quanto a que originalmente estava planejada para ser conhecida. O pastel e a Coca-Cola foram baratos, pelo menos eu achei. Nos encaminhamos para a casa.
Casa aberta, mostrada, quarto ocupado, ficamos conversando a beira da piscina (que está mais para uma piscina de mil litros do que uma olímpica, ninguém aqui é rico). Duas da manhã nos recolhemos para dormir. Eu li Black Magick antes de cair no sono.
Aqui cabe dizer que meu terror de dividir o aposento só aumentou. Estava insanamente quente no litoral, 30º Celsius à noite. Havia ventiladores de teto nos quartos, e na primeira noite coloquei colchão no chão e dormi embaixo do gerador de vento. Mas no outro dia pessoas chegariam e eu não poderia fazer aquilo, eu sofri muito imaginando como poderia dormir sem estar embaixo daquilo que aliviava, um pouco, meu calor.
Acordei no outro dia umas 10h. Não escutei barulho, e como visita fui apenas ao banheiro. Continuei no quarto, lendo, até ouvir sinal de vida. Não demorou, até porque fui o último a acordar. Desci e tomei café. Fomos então ao mercado comprar o que havia faltado. Não por irresponsabilidade, por ter esquecido de comprar aqui em Curitiba, e sim porque no que fomos antes de viajar não ter o que queríamos. Não, estou trocando a ordem. Antes do mercado fomos a praia… Sim, eu fui a praia.
Vou apenas dizer que joguei frescobol pela primeira vez na vida, e vou lembrar que na praia existe areia. Imaginem como me senti…
Voltamos para casa, tomamos uma ducha, entamos na piscina. Ficamos um tempo ali, só então fomos ao mercado. Compramos o que precisávamos, voltamos para casa e fizemos (meu primo fez, na verdade) almoço. Eu comi muito, como é de costume para minha pessoa. Logo na sequências as outras pessoas chegaram, isso deveria ser cerca de 16h.
Por sorte muito menos pessoas que o esperado se fizeram presentes no evento, e ainda menos dormira na casa. Eu não tive que dividir o quarto com ninguém, esse foi uma das melhores coisas do final de semana inteiro. Tive privacidade e um ventilador só para mim, melhor do que isso só se também tivesse um banheiro exclusivo.
A partir daqui não há muito mais o que relatar no dia. Pessoas ocuparam seus quartos, começaram a beber, lutamos para fazer uma caixa de som funcionar (o adaptor p10 p02 estava completamente oxidado por dentro), jantamos pão com linguiça (ou choripan, se quiser pagar de gourmet) e bananinha (corte da costela) e por volta das 3h todos estavam em seus quartos.
No domingo acordei umas 11h, tomei café duas vezes. A primeira não tinha nada para comer, na segunda tinha. E por volta do meio-dia começamos a jogar Imagem e Ação. Quando o jogo estava terminando outros convidados, que não haviam dormido na casa, chegaram. Terminamos o jogo, mudamos os times para incluir os recém-chegados, e jogamos mais uma partida. Modéstia a parte, estive no time vencedor nos dois jogos. Quando acabamos a segunda rodada o almoço ficou pronto. Comemos, conversamos um pouco e logo estavam todos dormindo em algum lugar. Eu não dormi, apenas li.
Achei que levar o iPad seria inútil. Achei que não teria oportunidade para ler quadrinhos em momento algum, estava enganado. Levar o tablet foi uma decisão bastante inteligente de minha parte, fico orgulho de tê-la tomado.
Quando o sol começou a se pôr no horizonte começamos a arrumar a casa, depois de a deixar como nova (ou quase isso) fomos embora. A viagem de volta foi tão engraçada quanto a de ida, comemos ao chegar em Curitiba. Fui deixado em casa, e uma das experiências mais diferentes da minha vida havia chegado ao final.
Agora estou em dúvida se divido este texto em dois, ou não. Ainda tenho que falar o que achei da experiência, mas acredito que eles já esteja muito grande, não sei se vão ler até o final, não sei se vão ter paciência. Acho que o melhor é dividir mesmo. Voltem amanhã (03/30/2016) para a segunda parte do texto.