Death is Eternal #22

Tem semanas que nada acontecem, esta é uma delas. Pela falta de acontecimentos a newsletter vai ser bem curta, me perdoem e torçam para que a próxima semana seja mais agitada.


SPOILERS


Parece que agora vai

A primeira temporada de Preacher chegou ao seu final umas duas semanas atrás (quiçá três), e eu só terminei de ver a série agora. E isso é um bom indicativo de qual será a minha opinião a respeito da série. Primeiro eu preciso dizer que mesmo sendo um grande fã da obra do Garth Ennis e do Steve Dillon eu me recordo muito pouco de detalhes da história, de minúcias do plot. Eu lembro o começo, o meio e o fim, mas não como as coisas acontecem. Então o meu desgostar das adaptações do quadrinho não passa pelo fato de eu ser um fã xiita. Eu desgostei pois a série televisiva foi ruim. E foi ruim pois alterou coisas de fundamental importância.

Apesar de tudo o Cassidy é foda

Uma das maiores alterações é o surgimento da grande amizade entre o Cassidy e o Jesse. Na série ela sruge de forma completamente gratuita, sem motivação, sem expliação, sem razão. Eles não se conhecem e no momento seguinte estão trocando juras de amor como se o bromance entre eles existisse desde sempre. Faltou cuidado nessa construção, e com tantos episódios sem trama e parados na mesma cidade isso poderia ser muito melhor construído, poderiam ter criado uma amizade crível entre os dois personagens.

O final foi catártico, mas por causa do meu ódio

E esse é outro problema da série, enquanto Preacher nos quadrinhos é um "road movie", na televisão eles ficaram plantados na cidade a temporada inteira. Isso criou uma lentidão, uma falta de plot completamente desnecessária para o avançar da trama. A temporada inteira poderia ser resumida em, esticando muito, três capítulos. E ela na verdade teve dez episódios, foi muita encheção de linguiça. Foi um interminável caminhar em círculos.

Pelo menos a maquiagem ficou foda

Um terceiro, e talvez o mais grave, problema da adaptação é a mudança de personalidade dos personagens. Tirando a Tulipa e o Cassidy todo o resto é diferente de alguma maneira ruim. O xerife preocupado com o filho, o Cara de Cu que levou alguém a tentar se matar e, principalmente, o Jesse Custer sendo um cuzão. Isso é um problema enorme, pois Preacher é o que é por ter um personagem principal que é fácil de se torcer. Nos quadrinhos o leitor percebe que o Custer é alguém que está em uma missão nobre, uma missão digna de ser completada, na série isso acontece apenas no minuto final. E o Quincannon também foi, infelizmente, completamente inútil.

Senti confiança

Mas, apesar de todas as minhas críticas, apesar de não ter conseguido acompanhar semanalmente, apesar de ter pensado em desistir de assistir, eu estou bastante ansioso pela segunda temporada. Isso porque os últimos cinco minutos do décimo episódio da primeira temporada corrigem tudo o que eu reclamei. A cidade explode; Jesse, Tulipa e Cassidy assumem que estão em uma road trip, a missão da viagem é a mesma dos quadrinhos; e o Jesse parece que vai ser quem ele sempre deveria ter sido. Até o Cara de Cu pode recuperar a sua história. Resumindo: a primeira temporada de Preacher foi muito fraca, mas os últimos cinco minutos dela prometem tanto que não há como eu dizer que vale a pena desistir de acompanhar a série.


Comportem-se até a próxima semana, ou não. Foda-se, façam o que acharem melhor. Só não me culpem depois se der merda.

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