CAPA

The Filth #1

Crítica sem spoilers


The Filth #1

Agosto de 2002



Nota: 8 de 8

Grant Morrison sendo Grant Morrison.

Página 1

Para quem não conhece, o escocês Grant Morrison é um dos maiores nomes na indústria dos quadrinhos. Suas obras são aclamadas por público e crítica. E grande parte delas tem como características conceitos muito interessantes, aliado a uma história que só faz sentido ao final.

E em The Filth essa característica de escrita de Morrison fica bem evidente.

Sua narrativa é simples, apesar de bastante confusa, pois o escocês coloca acontecimentos sem a menor explicação. Elas vão simplesmente acontecendo. O que é excelente, pois o leitor sente o que o personagem está sentindo, criando uma imersão gigantesca do leitor para com a história.

Essa confusão também é boa devido a capacidade de Morrison para escrever, pois colocar muitos elementos sem explicações é uma faca de dois gumes. Não sendo bem realizado, esse recurso afasta o leitor. O que é o exato oposto do que acontece com essa edição.

Os diálogos são os responsáveis por conduzir a edição, e eles são excelentes. É através deles que toda a confusão é feita, e é através deles que a simpatia com o personagem principal é criada.

Uma arte sensacional.

Página 2

Chris Weston faz um trabalho excelente com seus desenhos. Tudo é extremamente bem desenhado, seja um simples móvel, seja uma expressão que mistura tesão com surpresa.

Suas expressões, inclusive, são uma das melhores coisas no trabalho do desenhista. Todos os personagens, a todo momentos, estão com o rosto expressando algo. Não importa se ele está em primeiro plano, ou no canto do quadrinho, existe um cuidado muito grande com os desenhos de rostos.

A diagramação de Weston também é muito boa. Suas páginas são uma verdadeira experiência e conseguem transmitir o que o roteiro quer passar, seja um momento monótono, ou um momento de “alucinação”.

Gary Erskine é outro que faz um trabalho incrível. Sua arte-final complementa muito bem os desenhos de Chris Weston, pois seu uso do nanquim não é, apenas, para fazer o traço. Ele trabalha como “sombra” do que é desenhado, dando um ar bastante real para o desenho.

As cores de Matt Hollingsworth são muito boas. A escolha de sua paleta foi acertada, e em certo momento a maneira com que colore um situação faz com que ela seja ainda melhor. Mas, ao contrário do roteiro, do desenho e da arte-final, a colorização tem alguns pequenos problemas. Nada que comprometa a revista, mas é a diferença entre um bom trabalho, e um excelente.

A capa de Carlos Segura é muito bonita, embora não muito chamativa. E ela tinha uma difícil tarefa de conseguir resumir uma obra, a qual o entendimento só será possível com a leitura completa da série. Mas Segura consegue superar essa dificuldade, e resume muito bem a edição.

The Filth #1 tem um trabalho de desenho e de arte-final incríveis, e Grant Morrison fazendo o que faz melhor, o que é um pouco mais do que excelente.

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PS: Para ver a capa completa, clique aqui. Para saber mais sobre o blog, clique aqui.

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