Não entendo de política #001 — Impeachment
Então. Já vou logo avisando que realmente não entendo de política e não sou direita nem esquerda. Não sou a favor do atual governo, assim como não sou a favor do impeachment da presidente. Apenas tenho algumas reflexões sobre o assunto, de um ponto de vista leigo (bem leigo mesmo). Sendo assim, gostaria que ninguém se ofendesse com o que eu escrevi abaixo, pois a intenção não é acusar nem defender, apenas relatar o que tenho pensado com tudo o que vem acontecendo.
Crise
Vamos começar pela crise que o Brasil vem passando, já que tudo isso começou por essa razão. Primeiro, é uma crise econômica originada de má administração do dinheiro ou por deficiência no sistema de arrecadação do país? Se formos considerar como problema de gestão, devemos considerar a presidente como culpada da crise? Acredito que não, apesar do seu cargo máximo dentro do poder executivo, como podemos culpar uma única pessoa em um país com cerca de 22 mil políticos (1)? O presidente de uma nação escolhe seus ministros, mas não tem como garantir que todos eles desempenhem perfeitamente os seus cargos. Mesmo se tivesse esse poder de garantir isso, é quase impossível garantir que todos os estados e municípios do país sigam as planilhas e projeções que o governo faz. Ao meu ver, é uma falha coletiva. Incluindo aí os eleitores, pois se estes consideram incapazes (ou corruptos) os políticos que estão no poder atualmente, também são culpados por tê-los colocado lá. Vou tentar não fazer projeções aqui sobre como esse cenário irá mudar nos próximos meses, mas pode ser que as coisas piorem um pouco mais.
Impeachment
Aí surge o tal do impeachment (palavra inglesa derivada do latim, significando impedimento ou impugnação de mandato (2). Esse povo gosta de complicar). Devido as tais pedaladas fiscais que o governo teria utilizado para pagar benefícios sociais e fazer as finanças não parecerem tão ruins em relação ao mercado (3). Isso é considerado crime desde 2000. OK. Foi por uma boa razão? Em parte. Pois apesar de fazer isso para pagar o que deve e melhorar a imagem das finanças do governo, isso também aumenta as suas dívidas com as instituições financeiras. Posso ter me enrolado em alguma coisa aqui (me perdoem por isso. Sou biólogo, não entendo de economia), mas pelo que dá para ver, o governo já não estava indo tão bem em relação ao dinheiro, ou seja, a crise já estava presente antes do acontecimento supracitado. Essa seria a justificativa para impugnar o mandato da presidente. Independente da participação dela ou não nisso, outros justificam que ela deveria renunciar do cargo por incompetência como gestora. Se o problema é gestão, ela não trabalha sozinha… vamos incluir todos os outros políticos do momento e pedir a impugnação de seus mandatos por não terem impedido que tudo isso acontecesse (afinal, o que todos eles estavam fazendo enquanto o país afundava?) ou vamos mudar apenas um cargo e esperar melhoras?
Golpe
Palavra forte. Adequada ao momento ou não. É forte. Não entendo a seguinte justificativa: “a presidente foi eleita democraticamente. Tirá-la do poder é golpe!”. Se formos nos apoiar nesse argumento, impugnar o mandato do Collor também foi golpe ou ele não foi eleito democraticamente? ‘Pera’. Ele foi acusado de corrupção e renunciou ao cargo, tardiamente, sendo condenado à perda do mandato e à inelegibilidade por oito anos (4) Não, não estou comparando os dois. Apenas tecendo uma linha de raciocínio. Quem julga a culpa nesse processo são os políticos eleitos pelo próprio povo, que, em teoria, deveriam representar a vontade do povo. Recomendo checarem se os candidatos que vocês ajudaram a eleger realmente representam a sua vontade. Claro, se os tais candidatos não representam o povo, o povo vai para as ruas. E foi, mas isso mudou algo? “Despertou os eleitores”. Que provavelmente votarão errado de novo, tenho certeza (Collor foi eleito senador em Alagoas na última eleição com 55,69% dos votos válidos (5), o mais votado do estado…).
O que pensar?
O que posso concluir de tudo isso? São apenas jogos de poder, de ambos os lados. Todos se considerando os melhores para o cargo. Mas todos esses políticos estão tão ocupados procurando falhas nos mandatos alheios que esqueceram de fazer o próprio trabalho. Além disso, não acredito em melhores candidatos sendo eleitos. Acredito que os que tem maior apoio político e boas alianças ganha. O que vem sendo chamado de golpe (sendo ou não) é apenas a resposta de um mandato que perdeu o apoio da maioria dos políticos, seja porque realmente discordam do que foi feito ou por quererem pular do barco para não “levarem a culpa” juntos. De qualquer forma, em última instância, é o povo quem decide quem sai ou quem fica. Vamos esperar e ver se o povo escolhe o correto ou erra mais uma vez?
Para concluir, estamos todos de olhos abertos, estudando o passado de nossos candidatos, analisando a possibilidade de execução de suas propostas e votando com consciência ou estamos aceitando qualquer discurso bonito enquanto amaldiçoamos o fato de “sermos obrigados” a votar em um domingo?