Pego um ônibus todo dia a noite com a rua vazia.

Matando um porco, até ele gritar de dor

Sentir seu sangue escorrer pela boca

Enquanto viaja em um trem

A meia noite de um dia claro

Deitado em sua cama

Ele viaja sozinho

Pensando em elas

Que não estão nem lá

Nem aqui

Todo o mundo passa pelo capital

Que se deixa sem pensar

Raciocínio sem dialogar

Olho no olho de todo mundo

Quando entro em um vagão de trem

Que pego um ônibus as três da tarde

Com um sol que estrala de quente

Em um dia frio

Sentindo meu cachecol pelo pescoço

A gota de suor se mistura com o sangue morto

De um porco sozinho

Que rincha pedindo socorro

Para

Não

Morrer

Sem

Amor

Que que que que que que

Que

Que que

Que

Quer talvez se

Sentir

Mais

Aflorado e feliz com uma abelha em cima dele

Criando pólen de alegria

Enquanto seu corpo se espreguiça

E sente seus músculos despertarem

Em saltos as quintas nas aulas de balé

Que se mostram capaz

De criar arte

Platinada, com ferro

Claro

Que se mixa na pele escura de um ser

Que se desencontra a todo momento

E que vive na incerteza de não estar

Vivendo

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