Pequenas dicas para iniciar em UX

Se você deseja começar na área ou migrar para UX, seguem algumas dicas básicas baseadas na minha experiência de alguns anos de trabalho e várias entrevistas

Um mestre me disse uma vez: “Não tem mistério, é só sangue, suor e lágrimas.” — Foto

Tive meu primeiro contato com UX em meados de 2009 quando trabalhava como web designer e minha primeira experiência de trabalho foi em 2010, quando apostaram em mim sem eu ter nenhuma experiência prévia ou conhecimentos sólidos. Hoje, quase 10 anos depois, tenho vivência de agências, startups, e-commerce, consultorias, bancos e freelas. Todos esses momentos e lugares (com pessoas incríveis deles ❤) me ensinaram muito e contribuíram para minha formação como profissional.

Nos últimos meses, estou em contato com pessoas que desejam migrar para UX por razões diversas e jovens que desejam iniciar sua carreira na área. Nas conversas, além de aprender muito com a troca de experiências, noto que existem angústias, medos e muitas dúvidas comuns sobre todo o processo de contratação e, principalmente, sobre estratégias para fazer esse salto do ponto em que estão até o local que pretendem. É natural nesse processo e, além do mais, a área de UX (assim como outras disciplinas recentes), foge um pouco dos padrões conhecidos.

Separei uma listinha de coisas que aprendi e me ajudaram nas minhas diversas mudanças de trabalho com UX para compartilhar com você, dividindo em 4 itens: Currículo, Linked In, Portfólio e Entrevista.

Obviamente não existe fórmula pronta (nem para UX, nem para a vida), então fique à vontade para se apropriar e adaptar os itens que você achar interessantes e descartar o que não faz sentido para seu momento.


Currículo

Seu infográfico pode ser lindo, mas não informa muito nesse momento. Seja simples e direto ao ponto — Foto

O papel está morrendo nas melhores empresas (dá-lhe Linked In!), porém algumas ainda pedem que você tenha o antigo C.V. em mãos na entrevista ou que encaminhe em PDF para algum e-mail.

Exercite o poder da empatia e suas habilidade de UX para fazer um documento enxuto que te venda de forma rápida, em no máximo 2 páginas, sem tomar muito tempo do recrutador que está fazendo essa primeira seleção. Então:

  • Informações como endereço, idade, número de documento ou estado civil, são totalmente desnecessárias. Deixe nome, celular, e-mail e o link do Linked In.
  • Título, subtítulo e texto. Uma boa hierarquia de informações vale muito na página e agiliza a leitura e a encontrar as informações rapidamente.
  • Não use gráficos para demonstrar conhecimentos, escreva. Não é tão bonito, mas é mais funcional aqui.

Linked In

Se você ainda não segue, siga agora! — https://www.linkedin.com/company/nielsen-norman-group/

Uma ferramenta que vem funcionando mais e mais para mim. Além de conseguir conversar com pessoas e ter novas conexões, é possível seguir empresas e entrar em grupos de discussão de seus assuntos favoritos. E, obviamente, buscar vagas de UX.

Aliás, muitas vezes são as empresas que estão buscando um profissional e o contactando diretamente por meio de mensagens. Nos últimos 4 anos as empresas que iniciaram o contato comigo pela rede. Portanto:

  • Preencha seu perfil completo e mantenha atualizado sempre. Pode parecer óbvio, mas as pessoas geralmente só fazer isso quando precisam de um novo trabalho.
  • Organize seu feed seguindo as empresas que mais gosta e as pessoas que trabalham nela. Seu feed pode mostrar coisas muito legais, mas você precisa construir e lapidar ele.
  • Adicione novos contatos! Sempre que possível forme novas conexões: eventos, workshops, palestras, webinars, cursos…

Portfólio

É necessário ter um, mas não é tão complexo assim — Foto

Quem vem da área de design e publicidade já está acostumado em ter portfólio e, em UX, não é diferente, mas há uma grande diferença na construção e apresentação de um portfólio de UX. Eu explico:

Uma parte do trabalho de UX pode ser vista em forma de interface, essa é a parte final, que as pessoas não-UX conseguem perceber. Porém existem uma série de atividades e entregáveis que produzimos até chegar nessa fase, como: entrevistas, benchmarks, mapas de empatia, jornadas do usuário, testes de usabilidade, etc… Tudo isso conta muito como portfólio também, mas geralmente não são itens tão atrativos de se colocar no Behance ou Dribble, que são plataformas mais voltados para o visual.

Nosso trabalho como UX é, na grande maioria do tempo, conceitual. Nós ligamos os pontos e criamos novas conexões de ideias para que no final um produto apareça.

Oxe… E agora? E meu portfólio?

Seu portfólio é todo esse conjunto de processos, estratégias e atividades realizadas para chegar naquela ideia, naquela interface, naquela interação, naquele novo produto. Então minhas dicas são:

  • Foque na apresentação de 1 ou 2 projetos que você mais gosta, contando o processo de forma detalhada desde o início até chegar nos resultados.
  • Behance é ótimo para referências visuais e arte, mas eu prefiro o Medium para a leitura de projetos como esses, além de ficar fácil de achar numa busca pelo Google.
  • Se teu projeto é confidencial, faça um resumo dele online e monte tudo isso num ppt / keynote / pdf para apresentar quando for na entrevista.

Mas eu não tenho um portfólio ainda!

Eu sou fã da Nina Mufleh que fez um projeto incrível para chamar a atenção do Airbnb: Nina 4 Airbnb

Não, a Nina não foi trabalhar no Airbnb como ela queria, mas recebeu propostas de diversas empresas pelo seu esforço e criatividade. Então se você está começando ou migrando para UX e não tem portfólio, siga o exemplo dela e desenvolva algo para mostrar. Faça um projeto pessoal e aplique todas as técnicas que sabe, documente tudo e planeje a apresentação como faria para um cliente ou seu chefe.

Não existe atalho, tem que se esforçar.


Entrevista

Foto genérica aqui, mas espero que sua entrevista seja num ambiente mais bacana — Foto

Você fez seu currículo, atualizou o Linked In, construiu seu portfólio, montou a apresentação do projeto e agora chegou na entrevista. Algumas pessoas pensam na entrevista como um grande questionário / teste que o recrutador faz enquanto avalia se o candidato responde corretamente cada questão. Na verdade essa fase é (ou deveria ser) uma conversa que serve para verificar a afinidade de você com a empresa e também da proposta da empresa para seu momento.

Contratar a pessoa errada sai muito caro para a empresa e ir trabalhar na empresa sem conhece-la pode te frustrar rapidamente. Por isso:

  • Estude a empresa antes da entrevista e vá munido de informações e notícias recentes.
  • Aproveite a entrevista para questionar as pessoas e tirar todas suas dúvidas sobre a empresa e o trabalho.
  • Você precisa saber contar seus pontos fortes e pontos a melhorar. Pratique e saiba contar sua história, o que busca e o que pode oferecer.

Me avise se alguma dessas dicas te ajudou e se tiver alguma outra dica, por favor, deixe nos comentários.

Caso queira mais detalhes sobre algum desses temas (ou outros assuntos) me avise também.

Fico à disposição no Linked In e aqui nos comentários para trocarmos experiências, aprender e nos desenvolver juntos!

Boa sorte! ;)

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