Nirvana despertou o talento musical do romântico Phill Veras

A Música Popular Brasileira (MPB) tem no maranhense Phill Veras, uma das maiores revelações da música nos últimos anos. Com várias influências, Phill não concentra seu estilo somente na MPB, ele consegue adaptar suas composições românticas em vários gêneros como o folk, o blues e o pop. Com uma voz doce e suave, o cantor conseguiu criar sua própria identidade.

Foto: Divulgação

Esse talento conversou comigo antes de desembarcar, pela primeira vez, em Uberlândia, no próximo domingo (11). A apresentação de Phill Veras acontecerá no Teatro Municipal a partir das 19h30. O artista está bem animado com a sua passagem pela cidade mineira. ”Estou bastante animado e ansioso pra conhecer o público de Uberlândia. É a minha primeira vez na cidade, sempre quis tocar aí, agora vai rolar, e vai ser bonito”, enfatizou Phill.

Nesse bate-papo, falamos muito sobre a sua trajetória, desde a infância, quando ele se interessou pela música, passando por suas influências, o inicio de carreira, a importância da internet, até chegar no seu último trabalho, lançado este ano, intitulado “Alma”.

Quem conhece o trabalho do músico desde o começo, nem imagina que ele se interessou pela música ao escutar Nirvana, a banda com maior representatividade no grunge. Aos 10 anos ele era tão fã do grupo de Seattle que aprendeu a tocar alguns clássicos do rock alternativo, somente de ouvido. Depois de descobrir essa facilidade, o menino tocava cerca de 15 horas por dia.

Depois dessa fase escutando algo mais “pesado”, passou a buscar outras influências e um dos cantores que mais ouviu foi Caetano Veloso. Mas atualmente, Phill conta que escuta vários artistas e que é difícil definir quais são as suas influências atuais.

Disposto a mostrar o seu talento e sua competência, Phill buscou a internet para difundir seu trabalhar e sua veia artística. Tanto é que o próprio músico define a internet como seu “escritório”, onde tudo acontece.

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Phill Veras Lançou seu primeiro EP em 2012 e, a partir deste ano, o músico começou a se destacar no cenário nacional, saindo das plataformas virtuais e ganhando os palcos pelo Brasil afora. Nos quatro projetos lançados pelo artista, até o momento, é notório que ele gosta de se reinventar, como ele mesmo se intitula, “sou curioso”. Essa curiosidade faz com que as sonoridades de cada disco seja diferente. O último, por exemplo, é mais intimista, com influências da MPB das décadas de 70 e 80.

Confira a entrevista na integra:

Phill, vamos começar falando do começo pelo seu interesse pela música. Quando surgiu o interesse? Como esse interesse o levou a querer a conhecer e tocar os instrumentos? Como e qual era sua rotina de estudo?

Comecei a me interessar pela música aos 10 anos de idade. Eu era um pirralho roqueiro super fã do Nirvana, aprendi a tocar tirando de ouvido todas as músicas da banda. Se não fosse o Nirvana, provavelmente não estaria aqui sendo entrevistado. Comecei tocando guitarra e violão umas 15 horas por dia, trancado no quarto, as paredes suavam comigo.

Quais são as suas principais influências?

Depois dessa fase “filhote do grunge”, comecei a me interessar por MPB. Lembro de uma época que só ouvia Caetano. Me amarrava com os Doces Bárbaros de 1976. Hoje em dia ouço diversas coisas, é bem difícil apontar minhas principais influencias.

Como a internet lhe ajudou a alcançar o reconhecimento? Como é sua troca de experiências com os fãs nas redes sociais? Como usar essa ferramenta poderosa de um modo certo, sem causar desgaste?

A internet sempre foi meu escritório, desde o inicio da minha carreira. Lá é onde as coisas acontecem de forma instantânea pra mim. Pela internet eu mapeio os lugares certos onde devo tocar, é onde me sinto super a vontade pra trocar ideia com os fãs, e foi onde formei e ainda continuo formando público.

Você vem, ao longo da carreira, fazendo trabalhos diferentes. O que percebemos e que há várias influências, com uma raiz na MPB. Algumas dessas influências, ao meu ver, posso estar enganado, são: o folk, o blues e a Música popular Brasileira das décadas de 70 e 80, está correta está minha impressão?

Com certeza, é uma grande mistura. Como disse antes, passeio por vários gêneros, são diversas referencias. É difícil definir a principal delas.

Também, ao ouvir seus quatro álbuns, percebi que são muito diferentes um do outro, apesar do romantismo sempre presente. O primeiro voltado mais pro folk, o segundo e o terceiro com um pitada de blues e o último mais intimista, essa mudança é intencional?

Acho que faz parte das transformações no decorrer da minha vida. Estou sempre absorvendo novas informações, visitando novos ambientes. Sou naturalmente curioso. A intenção é sempre me renovar, e isso acontece de forma natural comigo, sinto como uma necessidade.

No último projeto lançado este ano, em algumas faixas, como a primeira, por exemplo, me lembrou muito Marina Lima e outras me remeteram a Djavan. Isso seria uma coincidência?

São compositores que ouvi muito, meio que por osmose, os meus pais sempre gostaram bastante. Acho que existe a influência, um tanto que indiretamente, mas existe, não negaria.

Por que os títulos dos seus três últimos álbuns são definidos em apenas uma palavra? Qual o significado de cada um deles? Em especial o último “Alma”?

Gosto desse formato, de ser apenas uma palavra. O “gaveta” está ligado ao fato das músicas terem passado bastante tempo engavetadas até serem finalmente gravadas. O “carpete” tem haver com as texturas sonoras aconchegantes do disco, achei que a palavra casou bem com a ideia de aconchego. O “alma” tem haver com o que me inspirou a compor as músicas, a espiritualidade.

Qual a sua inspiração na hora de compor? Você tem algum ritual?

Me inspiro no silêncio, na serenidade e nos pensamentos elevados. Faz parte do ritual estar sozinho no meu home-studio. É sempre uma conversa comigo mesmo, faço disso uma terapia.

Com suas canções românticas e uma voz doce e suave, você vem conquistando cada vez mais admiradores. Mas me surgiu uma curiosidade, você geralmente trabalha sua voz de uma maneira linear, sem grandes mudanças de entonação, isso ao meu ver. Você pretende explorar de outras maneiras sua qualidade vocal em outros projetos?

Acredito que tenho explorado cada vez mais, minha voz mudou bastante desde o primeiro disco. O Alma me fez caminhar por regiões que nunca havia ido antes em termos de intenção vocal. Muitas vezes me senti sendo desafiado, agora estou cada vez mais seguro, depois de tantos ensaios e shows.

Para finalizar, você gostaria de deixar seu recado para os fãs que estão ansiosos por sua apresentação.

Estou bastante animado e ansioso pra conhecer o público de Uberlândia. É a minha primeira vez na cidade, sempre quis tocar aí, agora vai rolar, e vai ser bonito!

Serviço:

Música Importa! — Phill Veras, Zal Sissokho & Luiz Salgado

Data: 11 de novembro, a partir das 19h30

Local: Teatro Municipal — Av. Rondon Pacheco, 7070, bairro Tibery

Ingressos: Nas lojas Marechal Store e Armazen Ateliê Pop Up, e no site IngressoLive

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/546096362497452