Destilada

Depois de tanto tempo,
Tanto labor e preces lançadas ao infinito,
De ínfimas vibrações de fé isoladas;
Numa cascata de esforços e desconfortos e noites escurecidas;
Na solidão e no desamparo, de braços abertos e olhos fechados, 
Cada célula de minha veste se reestabelece.
Os meses são escrutinadamente contados;
Os momentos decorrem delicamente a lista pré-definida;
Passos são perseguidos por outros passos;
Investimentos amadurecem na dimensão do tempo;
Uma a uma, as lágrimas descem;
Noite após noite, dias arrastados por dias, bochechas e pescoço molhados:
Sabor agridoce;
Confusão mental.
Desespero ao ritmo de palpitações cardíacas não requisitadas,
O cheiro da fumaça e a memória saturada das cinzas que diziam “eu amo você” .
Seu nome nos punhos a salvo pela piedade,
Seu nome entalado na garganta como um chumbo espiritual.
Constrições e longos fios de cabelo embebidos no suor de um pesadelo, narrado por gritos que nunca correram por ondas sonoras.
Triste parceiro.
Longa caminhada, breves infinitos rastejando pela lama para, enfim, me ajoelhar a teus pés, rogando por tua piedade.
Espera infinita por tua boa vontade.
Tremulações sísmicas tomaram minha mente quando teus lábios se lambuzavam na toxidade do piche.
Teus verbos aterrorizadores transmitiram o escárnio e a frieza…
Tanto esperei em ti, esposando a tua alma e mantendo-te sob minha guarda,
Mas deu-me tua sombra em partida, e tudo de que me lembro é de tua mão serena.
O ódio evaporou como em água que é destilada, 
Tua presença ainda forte e viva, em mim, parece injustificada.
Te amo como um cão humilhado. 
Não há nobreza em minha alma ou em meus propósitos,
Não quero que meu nome seja lembrado.
Afastado de mim, fique na paz do Senhor,
Este quem sabe o quanto me é querido, 
Quanto lhe quero bem.
Que sua luta seja louvada e todas as batalhas vencidas;
Pela grandeza de sua alma,
Que branco seja teu céu.

Amém

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