Das experiências que a vida nos traz.

Sáb, 15/07/2017

Depois de uma noite tipicamente Holandesa, acordamos na madrugada para partirmos para Londres. Meu sonho, enfim, um sonho.

Pegamos taxi, trem, tudo para chegar até o aeroporto e depois de muito tempo, chegamos. Não em Londres, mas no check-in. Entramos na fila e esperamos. Até aparecer um problema.

Preciso reescrever a cena:

Imagine: Funcionário da companhia aérea mexendo no computador e uma família apressada esperando. Ele levanta e vai até o balcão da companhia com os nossos passaportes. Ficamos preocupados, mas tudo iria se resolver. Calma. Ele voltou e nos perguntou: – Que dia é hoje? (Gelamos!)

Respondemos “Sábado, dia 15", ele respondeu “Desculpa, vocês chegaram cedo demais, a passagem é pro dia 19" (Desesperamos!)

Ligamos para a companhia aérea e informaram que não poderiam nos colocar em um outro voo. Tentamos ligar para a empresa brasileira, mas estava fechada (eram 2h no Brasil). Nos vimos sem ter o que fazer, longe de casa, em um país desconhecido. Nessas horas a saudade da nossa casa aperta! O que nos restava era esperar horas e horas, e eu tentava não pensar que o meu sonho estava cada vez mais longe. Alguns quilômetros e um canal para ser mais exata.

Fomos tomar café já que iriamos esperar horas pra tentar viajar pra Londres, no momento não sabíamos o que fazer. Mas um app de passagens constava uma viagem de avião, trem e ônibus… 10 horas e 51 minutos, 80 euros… ônibus.

Pensando que, precisaríamos ir para Londres e que esperar no aeroporto seria inútil, fomos de ônibus. De ônibus. Até hoje eu não acredito.

Fizemos o trajeto todo para voltar pra França. Aquele mesmo que fiz de trem bala, fiz de volta de ônibus. Horas de espera, medo, mas não vou mentir, estava curtindo a experiência. Por isso que eu digo: aprendi muito nessa viagem. Aprendi coisas que nunca vou esquecer até por que é impossível. Vi pessoas diferentes, com hábitos diferentes e línguas que eu espero falar um dia, mas estávamos todos no mesmo barco (no mesmo ônibus), todos queriam chegar em um destino.

Nunca vou esquecer do (quase) perrengue na imigração e na experiência louca que foi passar pelo Eurotunel. Eu nunca vou saber explicar essa coisa louca, isso tudo que a humanidade criou para encurtar distâncias e deixar com medo ou desconfiança quem nunca passou. Mas a vontade e a necessidade de chegar era maior.

Depois de uma viagem de 10 horas, finalmente o motorista trocou de posição na pista e enfim, estava no Reino Unido.

Pode parecer besteira, mas como eu já disse, sonho não tem explicação. Eu olhava a estrada e via todas as bandas, filmes, livros que foram referências para mim, todos em um mesmo lugar. Eu via Beatles em cada rua. Arctic Monkeys, Pink Floyd, Amy, todos aqueles que fizeram e fazem parte de toda uma adolescência escutando, desejando conhecer esse lar, enfim, já quero chorar, é isso.

Chegamos no Underground “Victoria” para irmos para o hotel. Andamos muito na estação – é tudo macro! – andamos mais ainda para chegar no melhor bairro. Southwark, chegamos!

Ainda não estava entendendo direito o que era Londres, acho que era a fome. Até que enfim, chegamos no hotel e…

Nossa reserva foi CANCELADA.

Depois de um dia desse, essa era a melhor notícia. Mas depois de uma explicação, tudo se resolveu. Vamos comer, por favor!

Era uma quadra do Thames e eu chorei. De verdade. Chorei por ter conseguido. Chorei por pensar que não iria e choro até hoje. Era surreal demais para mim estar lá. Como um reencontro, mas de mim mesma.

O vento do Tamisa era frio, as luzes dos prédios vivendo lindamente com o antigo. Eu não acreditava. Acho que sou muito intensa.

Depois de chorar, comemos. E rimos. Lembrando do que a gente passou, guardando na memória o que a gente viveu. Boa noite, Londres.

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