Amsterdam, quero ser você quando eu crescer.

Luana Soares
Jul 28, 2017 · 4 min read

Sex, 14/07/2017

Depois de meio dia em Amsterdam (entenda como metade de um dia!), acordamos super tarde pois o cansaço era grande. Outra coisa sobre fazer viagens longas: você vai cansar. A não ser que você fique o dia todo embaixo de um guarda-sol, na beira de uma piscina. Contrário a isso, na viagem não há descanso. É pra isso que eu estou aqui não é mesmo?

Acordamos na hora do almoço e Amsterdam permanecia fria. Almoçamos e fomos direto a Anne Frank House, (para quem não sabe: Anne Frank foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto). Porém a fila para comprar o ingresso estava enorme e não queríamos perder tanto tempo em uma fila, uma vez que era nosso último dia na cidade. Fica pra próxima!

Depois da casa de Anne fomos até o letreiro de Amsterdam, o famoso I (am)sterdam. Eu achei que estaria vazio também, mas me enganei, pra tirar foto foi um sacrifício. Partimos então para a Casa de Rembrandt. Onde o artista viveu e pintou entre 1636 e 1658. Em 1911 foi convertida no Museu Casa de Rembrandt e mantém as características principais da original moradia do pintor. Para a nossa sorte, estava fechada. Dia incrível, não é mesmo?

Mas mesmo com os acontecimentos não planejados na “Terra da cannabis”, seguimos a diante a fim de encontrar algum Pub com musica em plena sexta a tarde. Acontece que, são raros músicos em plena luz do dia, ou melhor, da noite, tocando. Então, fomos nós outra vez para a Red Light.

Procuramos pubs legais e entramos em um. Não era exatamente um pub que eu esperava entrar. Era um clima estranho, um lugar extremamente masculino, sei lá.

Bom, nesse bar tinha wifi e uma tomada perto do sofá, então ficamos por ali. Ficamos a noite inteira, até escurecer na Red light e a cidade começar a mostrar pra que veio. As meninas nas vitrines começavam a aparecer, as pessoas andando na rua, as luzes vermelhas, tudo era muito diferente ao mesmo tempo muito familiar. Parecia algum bairro boêmio do Rio, ou até daqui de Salvador mesmo.

“Quando uma criança ou adolescente vem a Amsterdam não há o desejo de julgar, mas um adulto observa os acontecimentos cheios de preconceitos” eu ouvi. E concordei na mesma hora. Ouvi adultos julgando sem pudor algum enquanto passavam por excursões de jovens que, simplesmente, não se importavam com a situação. Aprendi, ali mesmo em Amsterdam, que, as vezes, não adianta termos uma opinião fixa, um argumento perfeito ou até pretender ter sempre “o que dizer”. As vezes, precisamos sim de um posicionamento, mas em outros momentos é imprescindível guardar os achismos e pitacos. Estar em Amsterdam me fez perceber mais ainda que ninguém é melhor do que ninguém e estar em uma vitrine não é defeito nenhum, podendo ser até um ato de coragem. Amsterdam me fez perceber que, as vezes, mostrar é melhor do que fingir que não está ali, tentar maquiar, tapar os buracos ou imperfeições que muitas vezes fazem parte do processo em sociedade. Amsterdam me fez perceber uma cidade madura em determinadas discussões que não estão nem perto de serem concluídas no Brasil. Como uma cidade com tantos jovens pode ser tão madura em alguns aspectos?

A noite caiu e o clima também. Ficamos observando a noite e voltamos pro hotel a pé. Amsterdam não dava mínima pro sono e eu já estava morrendo de saudades. Fui dormir sabendo que ainda tinha muito o que aprender com Amsterdam.

Luana Soares

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Mulher desdobrável. Eu sou.

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