Pesquisa:
Percepção da Classe C sobre o Ajuste Fiscal

Por: Tatiana Seixas


Em tempos de incessantes e preocupantes notícias sobre o aumento da inflação, volatilidade do dólar, corrupção na Petrobras e crescente impopularidade do atual governo, muitos especialistas indagam se a população realmente compreende os esforços que o ministro da fazenda Joaquim Levy está fazendo para restabelecer uma trajetória econômica sustentável para o Brasil.

Será que o governo federal está sabendo explicar suas ações para a opinião publica, em especial a nova classe média brasileira?

Para tentar ilustrar melhor a percepção geral da atual conjuntura, a empresa de pesquisa e big data Ideia Inteligência, em parceria com a Vertude, realizou uma pesquisa telefônica nos dias 20 a 28 de julho de 2015, com 2.003 moradores de 129 municípios brasileiros. O objetivo principal da pesquisa foi compreender o que a classe C entende sobre o tema Ajuste Fiscal.

Os resultados da pesquisa foram divulgados na coluna da Monica de Bolle, na Folha de São Paulo, no portal da revista Exame e também no Jornal da Globo. A seguir, confira os principais destaques.

A pesquisa apontou que a maioria dos entrevistados (58,52%) não sabe o que é ajuste fiscal. “Podemos estimar que, aproximadamente, 2/3 dos brasileiros da classe média emergente não compreende o esforço fiscal do governo federal. Isso ajuda a explicar a queda brusca da popularidade presidencial” diz Mauricio Moura, Diretor Geral do Ideia Inteligência.

Além disso, da parcela que soube explicar de forma consistente o que significa o termo (41,37%), as palavras mais utilizadas em suas explicações foram “contas em dia” (31,6% dos casos), “imposto” (18,32%) e “despesas” (17,08%).

Com mais de 30% a palavra mencionada foi Contas em dia

Quando questionados sobre a atitude individual quando os rendimentos da família são insuficientes para cobrir as contas mensais, a maioria (tanto as pessoas que souberam explicar o que era Ajuste Fiscal, como as que não sabem), dizem cortar despesas, fazer bico ou trabalhos extras para complementar a renda. Em geral, tomar empréstimos e não pagar as contas são as opções menos escolhidas pelos entrevistados.

A pesquisa ainda indaga se os entrevistados acreditam que o governo faz o mesmo que eles quando falta dinheiro para pagar as contas. A esmagadora maioria foi enfática em dizer que “não” (71,88% dos que sabem o que significa ajuste fiscal e 78,63% dos que não sabem). “Existe uma evidente percepção da opinião publica que os governos não tem a mesma atitude do cidadão comum em relação a administração dos recursos. Esse distanciamento de atitudes é mais um elemento que alimenta o sentimento negativo em relação a classe politica”, afirma Mauricio Moura.

Por fim, quando perguntados sobre o que acham que o governo faz diferente deles diante da falta de recursos para pagar as contas, as palavras mais mencionadas pelos respondentes em sua explicação são “Imposto”, “Rouba” e “Pega do trabalhador”. “Ou seja, a percepção geral aponta que o governo sempre estende o custo dos constantes déficits para a sociedade”, conclui Moura.

Participaram da pesquisa apenas entrevistados com linha telefônica fixa residencial. A margem de erro máxima é de 0,7% com intervalo de confiança de 95%.

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