Acordeão

A alma que míngua agora se comprime
ao nascer d’um novo mundo — ou o inverso.
Se expressa, grita, chora, mas que crime!
Lhe resta estar plácida, sem excessos; 
não a deixaram prosseguir perene
então eu sigo triste, inexpresso
e não consigo, por mais que eu pene
alcançar o Ser — que me foi disperso.

Nos vãos entre as curvas vivem as mesmas
memórias que já não mais me habitam.
E se vivem lá fora, secas, enfermas
vivem aqui dentro os diabos que me criam.
Agora eu vivo os mesmos dilemas
que se retêm no obtuso coração;
e eles, lá de cima, me reclinam
mas insistem que eu acorde — ou não.

-Vfd.

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