Este poema está sozinho
Jul 23, 2017 · 1 min read
um pente e um amor perdido não são
— em suas limitações materiais — nada.
o ventre, a morte, a pécora razão
não são mais que restos de vida plasta.
talvez vivamos em tempos cabais.
nada é amor. inovar nos é inútil.
os vazios se disfarçam de rituais
e desta nossa velha essência sútil.
mesmo que nestas cinzas nasçam flores
os mortos ali não esquecerão
dos lábios secos — mágoas multicolores.
lâminas agora me são o linho
enquanto o amor me apunhala em vão
— e eu deixarei que isso morra sozinho.
-VFd.
