A Quimera do Atlântico

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A bandeira índigo tremulando. Fios loiros, íris esmeraldinas. A câmera distanciando.
- Junte-se às forças do Atlântico! Venha lutar pela liberdade! A grande pátria precisa do seu apoio!
O helicóptero decolando. Golou a cerveja. Sorriu.
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As fardas rasgadas, carrancas sujas.
- Vocês foram escolhidos, heróis dentre os povos que ainda resistem. — O coronel urrou. — A vós foi dada a honra de pelejar contra a monstruosa quimera do Atlântico, a devoradora de nações, a pisoteadora de culturas! Vão e honrem suas nações! Destruam a liberdade e sejam livres!
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- Como vamos vencê-la, Pedro? — Couro moreno, tranças escuras.
- Não sei, Sayyd. — Pele negra, madeixas castanhas. — Ela é grande, mas nós somos fortes. A vida que levamos nos enrijou. — Deu de ombros. — Deve ser o bastante.
Aquiesceu.
- Devemos agir em conjunto. Quem quebrar a formação vai morrer. — Pyotr imperou. A careca pálida. — Só assim pra destruirmos de vez a besta.
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O falso messias desfilando no conversível. A beca cândida. A plebe faminta ovacionando. Arremessou o pernil roto.
- A liberdade vos abençoará! Se dobrem à grande quimera! Adentrem o grande teatro cósmico! Sejam meus filhos, assim como outros antes de vós!
Dois terços do populacho seguindo.
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Os fuzis disparando. Estrelas alvas nas escamas. A pupila rubra.
- Não quebrem a formação! — O eslavo imperou.
- Fuja! Eu sinto teu medo! — A fera berrou. O latino tremeu. O árabe o agarrou encarando. — Nós viemos juntos! Sairemos juntos ou morreremos juntos, Pedro! Não tenhas medo!
Anuiu desnudando a espada. Apunhalou o monstro. Repetiram o gesto. O titã vomitou as ossadas.
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A ilha amaldiçoada tragada pelo Pacífico. A liberdade morreu, e então os povos fizeram-se livres.
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Escrito por: Idelmino Ramos Neto
Revisado por: Igor da Silva Livramento
