DIFERENTES NARRATIVAS NO “RELACIONAR-SER” EU DIGO SIM A NÃO-MONOGAMIA

Iédem Storch
Jul 10, 2017 · 3 min read

Há um bom tempo venho refletindo sobre a formato das relações em que quero viver, investir energia. E encontrei nas palavrações de uma guerreira e companheira de jornada, uma leitura de mundo que inspirou meus sentires e pensares em relação a esse tema que está pulsando aqui dentro.

Como na nossa cultura a monogamia é a regra, sobre a qual muitas pessoas nunca pararam para refletir, há muita gente que tem ideias extremamente rasas e/ou distorcidas sobre as razões que podem fundamentar a escolha pela não-monogamia — e sobre o que cabe dentro dela.

Algumas razões me provocam e desacomodam a investir e quem sabe na energia das deusas experienciar esse formato no “Relacionar-Ser”:

Há séculos, mulheres são tratadas como propriedades / objetos de homens. Há séculos, mulheres são assassinadas como propriedades / objetos de homens.

Isso está tão enraizado no inconsciente coletivo que foi romantizado: A mulher que comporta-se bem como uma propriedade exclusiva recebe muitos elogios. Já a mulher que foge desse comportamento recebe muitas críticas negativas — no mínimo. Até o século XX, por exemplo, mulheres foram internadas em hospícios porque não tinham interesse em / se recusavam a casar.

Dou muita importância a seguir como um indivíduo livre — e ainda que eu passe um período sentindo vontade de me relacionar apenas com uma pessoa, é fundamental que ela saiba que continuarei sendo no mínimo tão livre quanto eu era antes de conhecê-la. (Uso aqui “ser livre” apenas como oposição de “ser propriedade” e lembrando que liberdade não exclui sensibilidade, consideração, respeito, comunicação, cuidado, amor…)

“O seu amor/ Ame-o e deixe-o/ Livre para amar” — essa música dos “Doces Bárbaros” foi divisora de águas para mim. Passei a refletir sobre qual era o problema se alguém com o qual me relacionasse amasse outra pessoa e expressasse esse amor fisicamente. E basicamente percebi que eu tinha medo de perder, medo de ter menos. Percebi que eu tinha apego. Então concluí que preferia uma relação que não fosse baseada nisso; que gostaria de praticar ficar feliz pela felicidade do outro, perto ou longe de mim; deduzi que essa prática sintonizava com o mundo em que eu acredito.

Quando alguém me diz “estou namorando”, já imagino uma certa rotina com um conjunto de regras e expectativas específicas. Concluí que prefiro construir / criar uma relação, ao invés de reproduzir o padrão das comédias românticas. Cada pessoa tem suas preferências e é possível chegar a um combinado, ao invés de precisar se adequar a um modelo. O eu, o tu, e o nós são sujeitos distintos. É preciso e precioso alteridade no relacionar-ser.

Diversos tipos de relação cabem no âmbito da não-monogamia. Você pode passar um período sentindo vontade de se relacionar com apenas uma pessoa e continuar não-monogâmico/a.

Citando Alex Castro, “Relacionamentos não-monogâmicos são quaisquer relacionamentos sexuais, românticos, amorosos ou afetivos consensuais, entre duas ou mais pessoas de quaisquer sexos e gêneros, que vão além da normatividade monogâmica da nossa sociedade e onde não exista a restrição aos envolvimentos com outras pessoas de fora do relacionamento.”

Sigo no amor, amando, amém.

“O seu amor, ame-o e deixe-o ser o que ele é”

Iédem Storch

Written by

Peixe-Pássara buscando a harmonia entre o mergulho e o voo.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade