Habite minha cidade

Quero poder sair pela cidade, me perder e nela te encontrar. Casualmente pensar que te vi, pensar que são os teus cabelos bagunçados pelo vento que vem do mar. Quero só sentir que coexistimos, que um dia desses ainda posso te tocar. Que posso olhar da janela e te ver passando na rua, que você pode estar vindo me tomar, arrancar de mim todas as carícias que não te dei, que direi as palavras que calei, que poderei dizer teu nome que não deixou de me rondar.

Mas ai! Pelo menos me diz como foi o teu dia, fala dos teus passos e forma de olhar, para eu sonhar um pouquinho que foi ali, logo ali perto de mim.

Porque quero largar minhas ruas, o mar e tudo que sou para te buscar, tomar sua mão, seu corpo, para que você tome meu seio e nele permaneça imóvel apenas sentindo meu arfar. Quero respirar, bater no seu tempo, que parece tão ameno. Faz do meu seio teu cheiro, se finca até encontrar meu coração que não sabe pulsar, faz-me sentir tudo que és até não poder te desprender do que sou.

Se finca, mas dessa vez de verdade. Da última vez você se foi, se foi. Quando perdi teus braços me desfiz. Volta, se esquece em mim, se esquece de todos os planos, eu já abandonei os meus.

Não quero ser apenas as palavras que escrevo, uma voz distante, quero ser minhas mãos, meus lábios, meus cabelos, quero ser todo calor que emano.

Quero falar do meu dia pra você. Hoje um poste qualquer me perguntou onde anda meu frio na barriga, acredito que nem mais frio sinto, nem mais barriga tenho. Você carregou tudo de mim. Desci do ônibus, carreguei tudo que agora sou, nada mais que umas palavras sobre ti. Caminhei sob a memória dos nossos passos pela cidade, na praça do Carmo, passeio público, leão do sul. Você não estava nem como penumbra nesses cantos. Por que você não me habita?

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