Aceleração

Acordo atrasada, me visto correndo. Em um tapa engulo um café requentado de ontem. Pego um chocolate e coloco na bolsa. A corrida é tanta, que ao sair, quase atropelo o puff da sala. O tombo ia ser lindo! Penso que o tempo anda me comendo por uma perna, por um braço, pelas ventas. Tá ventando muito aqui. Na rua o frio me corta a nuca, o lombo e tudo fica gelado quase paralisado, mas meu pensamento não. Ele tem vontade própria, parece um cavalo indomável em alto galope. Quando entro no táxi, e digo o destino, já estou lá na reunião, imaginando, pensando no que direi. Tudo isto em instantes. Somente quando escuto a música que está tocando, sou devolvida ao que estou vivendo, e então percebo: estou em um táxi, sendo conduzida para um destino, existe um percurso e uma pessoa está prestando um serviço. Com toda esta aceleração, nem dei bom dia. Isto me fez refletir: nossa quantas vezes faço isto? Eu gostaria que fizessem assim comigo? Que tipo de passageira eu sou? Pô, é um ser humano que está ali. A reflexão vai muito além, porque revela um modo de funcionar. Na mesma hora pedi desculpas. Ele prontamente me disse: imagina, não tem problema. Conversamos sobre o tempo e sobre música. A corrida chegou ao fim e o ensinamento é apenas o início de um desafio constante. É preciso aquietar a mente para viver um momento de cada vez, menos acelerada.

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