Interpretações lo lo loucas de La La Land

*contém possíveis spoilers*

Quero começar pedindo desculpas pelo título, mas acontece que sou tia e, quando você se torna tio ou tia, alguma mudança química ocorre no cérebro da pessoa e você passa a sentir uma atração incontrolável por piadas que provocam dor e sofrimento nas demais pessoas. Mas amar é jamais ter de pedir perdão, então retiro minhas desculpas. Ou não, sei lá. Enfim.

O Oscar é no domingo (26) e a crítica americana se divide, mais ou menos, entre os que torcem por La La Land e os que torcem por Moonlight. Ao meu ver, La La Land é um triunfo nostálgico que resgata a tradição do musical e da fantasia Hollywoodiana em um ano permeado de histórias baseadas em fatos reais; enquanto Moonlight é um filme bem fotografado aqui e ali, com um roteiro medonho, diálogos horríveis e vários personagens rasos, que recebeu muito confete porque trata de um gay negro ou de um negro gay, como preferir. Resumindo, Moonlight é o Crash deste ano. Se ganhar, será para afastar qualquer sombra de racismo e, bônus, homofobia.

Na defesa de Moonlight, alguns críticos têm atacado La La Land dizendo que o musical é em si racista porque o filme não têm negros nos papéis principais, porque o negro é o "vendido" (o que não faz "jazz puro", que seria o Ryan Gosling), que o filme é fascista, que o filme valoriza o sucesso financeiro em vez do amor…

Sem fazer uma análise muito profunda, pois pensei nisso tudo durante o banho e eu estou com a toalha na cabeça, minha interpretação de La La Land é a seguinte:

Muito mais importante do que o romance de La La Land, é a jornada pessoal da personagem da Emma Stone. Sim, La La Land foi comercializado como um filme romântico, mas há inúmeras cenas da Emma Stone sozinha, no trabalho, em testes ridículos para séries de televisão, sendo interrompida e rejeitada repetidas vezes. Talvez isso não seja fácil de entender para quem nunca trabalhou se colocando em uma situação de vulnerabilidade. Quem não é de humanas (e quando eu digo "humanas", quero dizer HUMANAS mesmo, pessoal das ARTES) dificilmente vai saber o que é mostrar algo seu, algo pessoal, e esperar que um estranho aprove. Uma atriz depende da aparência física, idade, inteligência, interpretação de texto, sensibilidade, memória afetiva, senso de humor, simpatia, etc., tudo precisa ser muito afinado. Ela pode entregar o coração e mesmo assim ser rejeitada. É por ser tão pessoal que é tão difícil e tão cruel.

O verdadeiro romance não é viver como um casal feliz para sempre, mas encontrar uma pessoa que te inspire a superar suas dificuldades pessoais e a crescer. É encontrar uma pessoa que te ame tanto que esteja disposta a abdicar da sua presença constante para o seu bem, para o seu sucesso. É o final de Casablanca acontecendo de novo.

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