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Exausto da espera, me finco a um solo sombreado por arvoredos de frutos não permitidos. E faço casa, ergo paredes, me fecho e mal escuto esse vento amigo, um cicio suave e tranquilo que vem de longe me despertar. Vem rasteiro colhendo cores, aromas primaveris, memórias doces e iluminadas, já agora desbotadas por meus olhos de neblina. Quando das aves pequeninas o canto limpo e harmonioso dão lugar ao presságio umbroso das aves de rapina, meu sono me abandona nas noites mais sombrias. Está nas mãos meu sangue exposto quando mordo os dedos pelos não chegados dias. Meu coração dispara em sismos. O corpo estremece fraco sobre o leito. No escuro, absorto, em meus olhos espelho a face horrenda do abismo. Que triste meu tempo presente! Me escorre salobra na face a lembrança de um passado contente, dos pés desnudos contra o chão dando asas ao pó que me coloria inteiro em tons de vermelho, já agora rosados, não de alegria, mas de velhos. Mais triste ainda é o futuro que mal espreito! Marejados, meus olhos já me embaçam as vistas e o que vejo é incerto, obscuro e estreito.
