A Campus que ninguém vê

5 anos já se passaram desde que a Campus Party chegou em Recife. Primeira capital no Brasil a receber tal evento excetuando-se São Paulo, e que trouxe oportunidades para os moradores do Norte e do Nordeste do país continental como o nosso. Estes viram as distâncias que os separavam deste grandioso evento sendo reduzidas, criando oportunidades de participação para todos.

Cerimônia de Abertura da Campus Party Recife 2012. Foto: Eudes Santana (Disponível no Flickr da Campus Party Brasil)

Desde 2012 até 2015 ocorreu o formato completo (full) em diferentes espaços na capital pernambucana. Em 2016, ocorreu pela primeira vez o formato weekend, na tentativa de Recife continuar sendo a capital da tecnologia, por, pelo menos, 2 dias. Ali ficou visível para os campuseros o último suspiro, na tentativa de aproximar entusiastas da tecnologia.

Junto com cada uma dessas edições nasceram histórias, movimentos e amigos; novas comunidades e caravanas foram fazendo parte do rol de parceiros do evento a cada nova edição, vindas dos 9 estados do nordeste e até de outros estados brasileiros. Recife passou a ser o centro das atenções a cada nova Campus Party, mas em 2017, pela segunda vez consecutiva, as coisas parecem ir na contramão do sonho de mais de 4 mil campuseros que todos os anos criam momentos inesquecíveis em terras pernambucanas.

Esse texto não está sendo redigido apenas por um campusero, mas por diversos que compartilham do mesmo sentimento.

Ficamos felizes com a realização da #CPBA, em Salvador, ainda em 2017. Isso nos tranquiliza sobre a permanência desse movimento dentro do Nordeste, alcançando novos ares e incluindo novos públicos. Entretanto, aproximando mais a CP do sudeste, e retirando — geograficamente — da intercessão entre o Norte e o Nordeste dificulta a participação de entusiastas de algumas localidades, principalmente de cidades que incluem o estado do Rio Grande do Norte e estados localizados geograficamente acima (Ceará, Maranhão, Piauí e subsequentes). Esse manifesto é escrito, primordialmente, pelo Projeto Potiguar, um dos estados atingidos diretamente com a mudança, na qual se coloca ao lado de toda a equipe de participantes que estão em luta pelas negociações entre governo e o Instituto Campus Party Brasil pela realização da CPREC6, pois somente quem viveu cada um desses momentos construídos ao longo de 5 anos sabe o quão importante é esse evento não só para si, mas para todos, direta ou indiretamente, em todas as esferas.

A realização da Campus Party em Recife rompe os limites de entretenimento, em parâmetros similares em relação ao rompimento de fronteiras geográficas, políticas e de conhecimento.

Uma grande questão levantada na última Campus que ocorreu foi a discussão em torno da participação feminina na área da tecnologia e da ciência, através do projeto “Mulheres para a Ciência” da L’Oréal junto com a UNESCO. A cada edição são lançadas no mercado novas startups e novos promotores de conteúdos que veem na Campus uma forma de se lançaram no mercado e provocar um fenômeno de crescimento tecno-científico e de transformação. Recife passa a ver vista com outros olhos por diversos empresários e investidores, colocando a capital de Pernambuco como espécie de “incubadora”. Para além da construção tecnológica, a ocorrência da Campus Party incentiva o turismo na capital, pois diversos participantes vem de outros Estados e passam dias a mais que a duração do evento, fomentando o setor em diversos espaços da cidade, e ainda colabora em outros departamentos que estão ligados diretamente, como hotelaria e alimentação, fazendo a economia girar e acrescentando porcentagens no crescimento financeiro de Recife.

E além dos fomentos até aqui citados, Recife é uma das capitais do nordeste vistas como principais no desenvolvimento tecnológico. Pólos como o Porto Digital e o ETEPAM ( o qual possui em suas instalações um MIC — Microsft Innovation Center — disponível) se caracterizam como fortes influenciadores, além de atrair o olhar de centenas de estudantes que encontram na terra do frevo oportunidades para o seu desenvolvimento profissional e científico.

Como a Campus não é baseada somente em fatores tecnológicos, como último ponto deste manifesto vamos relembrar que Recife é uma das capitais mais importantes do país e berço de inúmeras relações nordestinas e brasileiras na área da Comunicação. Compreende-se comunicação todas as relações visuais e não-visuais que transmitem mensagens de forma ágil e simplificada. Um grande exemplo advém do Design Gráfico e do Design Tipográfico, onde alguns dos maiores tipógrafos brasileiros são, pernambucanos; o Design vernacular possui fortes correntes acadêmicas partindo deste território e uma das melhores faculdades de Design do Norte-Nordeste se encontra na UFPE. O assunto “Comunicações” interage diretamente com a campus, já que existem palcos específicos sobre o conteúdo, no qual se contecta diretamente com o universo tecnológico proposto pelo evento.

Este texto procura apresentar alguns dos mais importantes pontos que levam a acreditarmos e a confirmarmos que Recife-PE é capaz e tem potencial suficiente para receber mais uma vez a Campus Party em suas terras. A crise, como sendo a principal justificativa, não pode ser um impedimento para investimentos. O retorno gerado por um evento deste porte não são colhidos logo na primeira manhã após o encerramento (mesmo podendo vir a ocorrer), mas são a médio, longo prazo. Será que temos noção de quantas pessoas disseram que voltarão à Recife após a Campus? Inúmeras são as histórias que conhecemos que meses depois campuseros retornaram a capital do Galo da Madrugada após conhecer a região durante a CP.

E não cabe a nenhum de nós deixar esse sonho morrer. Não estamos lutando por um evento, mas por colocar na rota do desenvolvimento uma região brasileira que por muitas e muitas décadas foi esquecida. Nosso nordeste merece estar no foco do Brasil, e colocar em evidência inúmeros produtores de conteúdo que por muitas vezes são esquecidos devido a suas origens. A Campus Party em Recife não é desta capital somente, mas do Nordeste, do Brasil. Acreditamos que podemos fazer esse evento unidos, juntos. O que não podemos fazer é deixar a CPRec para trás, após uma história construída.

Campus Party Recife. Uma história arretada que marca vidas.


Esse manifesto é assinado por:

  • Comunidade Projeto Potiguar na Campus Party (nome final a ser decidido), e seus líderes;
  • Comunidade MangueByte, e seus líderes;
  • Promotores da Campus Party Recife 5 (Campus Party Weekend);
  • Campuseros ao redor do mundo.
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