O fim da festa da carne e a egrégora da quaresma

Feliz ano novo — assim disse meu avô — o carnaval acabou, e agora sim o ano começou. Velha infeliz, está sempre certa.

O carnaval nunca foi uma festa de comemoração, e sim uma despedida; uma despedida dos prazeres, do ócio, da carne, para a chegada da Páscoa, que é sem dúvida um dos símbolos mais fortes da renovação. Se você nunca reparou, o Carnaval e a Páscoa são o yin e yang verdadeiro do cristianismo; é a demonstração prática da morte e do renascimento do corpo/espírito, do profano ao sagrado!

Mas não é tão simples assim. Nesse meio tempo existe um coisa muito perigosa chamada Quaresma, os 40 dias de penitência e expiação, do jejum e do pagamento dos pecados, que começa das cinzas de um velho corpo e termina na glória da ressurreição.

Mesmo eu não sendo cristão, seria ignóbil de minha parte ignorar esse tempo, essa egrégora. Toda ação gera uma reação igual e contrária. Imagine você — e abra sua mente agora! — o quanto de energia está em todas as partes do mundo agora? Energias negativas, de culpa, de dor, de solidão, de esperança, de arrependimento.

Claro que tudo é relativo, pois uma boa cabeça faz um bom corpo, mas não duvide de forças maiores só por que não há com-provações! Fiquemos atentos, pois a Quaresma é muito mais perigosa do que se imagina, e é tempo SIM de nos resguardar, repensar, reviver, ressentir, para assim como Cristo/Osíris/Fenix fez, possamos ressurgir e renascer de nossas próprias cinzas.