TRANSCODING

IGNISCODE — HANDMADE DESIGN


Este texto marca o lançamento da primeira reflexão escrita da IGNISCODE. Estabelece, também, uma nova rotina na experimentação de linguagens com a finalidade de alcançar estéticas que estejam dimensionadas de acordo com o novo código para o qual o estúdio ignis foi lançado: IGNISCODE. Antes mesmo de escrevermos sobre os propósitos que envolvem a troca de nomenclatura, de estúdio ignis para IGNISCODE, além da total absorção da nomenclatura pelo mero sinal gráfico: ▲| falaremos um pouco sobre o que nos fundamenta nesta nova jornada: imagens.
Falar sobre imagens e relacioná-las a fundamento torna-se paradoxal na medida em que nossa posição, tanto prática como teórica, propõe uma relação com superfície. Fundamento tem a ver com fundo, interior, base, alicerce, sustentáculo, firmamento, apoio, causa, origem. Superfície, por sua vez, existe no mesmo universo de raso, exterior, rasteiro, plano, superficial, limite. No entanto, tal paradoxo justifica as tentativas de definição de tal problemática ao longo da história do pensamento ocidental. Imagens existem em paradoxo. Existência paradoxal pode ser observada em comportamentos representados, por exemplo, através do Ourobouros, do Copo de Boyle e do princípio da incerteza de Heisenberg. Imagens são paradoxais, pois projetam-se contra a opinião. Imagens não permitem opinião sobre elas mesmas — para doxa –, pois elas é que estão sobre. Imagens são irresponsáveis, isto é, não permitem respostas. Dizer, inclusive, que sobre imagens pode-se fazer teoria opinativa — ou até mesmo hipotética — significa a total falta de compreensão desse tipo específico de ser existente. Imagens permitem apenas episteme: o lugar onde fomos e somos instalados para funcionamento programado de acordo com regras espalhadas por campo de jogo limitado. Sabendo do risco e também da total falta de sentido da construção de um texto sobre a questão da imagem, nos lançamos ao incerto, ao menos para desbaratinar e provocar um pouco.
Faz-se necessária a provocação. Em ambiente digital, construído e articulado por dígitos, donde o todo já está dado, o que resta é a provocação. A estética em jogo, em âmbito de dígitos, é a da presença e também a da ausência. Se o tema do texto é paradoxal, então estamos munidos de assunto.
Projetamos para pessoas, para humanos, stricto senso. No entanto, para pessoas que se projetaram para dimensão imagetica de existência. Leia: Através de dígitos sintéticos, pessoas se tornam repórteres de suas próprias vidas. Pessoas não estão lá, ou aqui. Estão contando/reportando que estão lá, ou aqui. Pessoas se posicionam no lugar do conto, e não no lugar de fato. Pessoas se projetaram para o lugar da história; lá passaram a existir. Não há mais história, portanto. Daí parte a necessidade das mídias, todas elas, tornarem-se responsáveis por ser e contar histórias para pessoas: para que haja uma história, alguma história; mesmo que simulada, programada.
Estamos vivendo o fim da história. Nós da IGNISCODE também. No entanto, tentamos provocar para nos lançarmos para fora, para longe: um pouco longe. Para depois retornar, de um pouco longe. E mostrar o que vimos lá.
Este fenômeno explica outro: a cada vez mais fundamental importância da técnica. Contudo, ficaremos por aqui nesta primeira oportunidade de publicação. Noutras, trataremos da técnica de maneira específica.


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