Cicatrizes

É bem comum, que quando terminamos algum relacionamento, estejamos um pouco triste e vulnerável com a pessoa em que depositamos nossas confianças e nos abrimos em nossos segredos mais íntimos.

Mas como eu definiria como é estar amando?

Eu falaria que amar é um sentimento lindo. O mais perfeito dos sentimentos. É andar sem tocar ao chão. É achar bonito o que antes era comum. É poder rir das coisas mais banais que nos rodeiam. É ir fazer uma tarefa chata, com um corpo leve e despreocupado. É dormir pensando, sonhar e acordar com a pessoa na cabeça. É a ansiedade de receber o retorno daquela mensagem feita quando você acordou, escrito – Bom dia pra você também!

Sim! É revigorante.

Por outro lado. Todo começo também pode ter um fim. Pode, não é regra e nem sempre isso acontece, mas, se e por algum motivo acontecer, nem sempre é da mesma forma.

Cada um tem uma história diferente para cada momento da vida em que amou.

Alguns amores vão assim como vieram. Sem peso, sem carga, não deixam nem pegadas por onde passam. Já em outros casos. Chega forte, rápido e com força bruta. Descreveria como uma grande Transamazônica. Sai pavimentando tudo e não deixa nada de pé pelo caminho.

E é nesses que ocorrem os piores acidentes. Por ser um caminho excelente de percorrer, rápido, intenso e novo, você esquece que essa estrada é mão dupla. E se você não manter a direção firme com foco no seu destino, e com a manutenção em dia, pode ocorrer um grave acidente de percurso. Foi meu caso. Cochilei no volante, capotei algumas vezes pela estrada antes de rodopiar no ar e entrar mata adentro atropelando tudo o que encontrava pela frente. Acidente feio. Gravíssimo. Receberia aplausos de pé, do diretor Michael Bay. Mal conseguia me erguer de pé. Tudo doía. Mas não com tanta intensidade quando a dor no peito. Ao perceber, tinha em mãos mil pedacinhos destroçados do que outrora viria a ser um coração. Um enorme buraco no peito era agora o que tinha. Por mais que faltasse algo ali para preencher esse buraco, me sentia completamente pesado. Com um enorme elefante sobre as minhas costas. Carregar aquilo foi pesado, sufocante e que faz qualquer tentativa de se reerguer, uma tarefa sobre humana. É sobreviver esperando alguém com santa alma, um tiro de misericórdia.

Dias passam. Você olha pro presente e vê que o futuro se perdeu no passado.

Toda tentativa é frustrante. Nada cola aqueles pedacinhos novamente. É orgânico e como tudo orgânico, precisa de tempo para maturar. Precisa de tempo, de um bom ambiente a sua volta. De também pessoas dispostas a ajudar para que cresça novamente bonito e forte. Mas ainda assim, leva tempo. Marcas e cicatrizes são naturais. É o passado deixando sua marca para o futuro. Não se pode focar muito nelas. Não é feio ou algo que estrague. É só parte externa e sensível que protege o interior. Muitos erros podem ser evitados olhando essas cicatrizes mas também muito pode-se deixar de ser feito por medo de formar novas marcas. Não existe regra de como as coisas devem ser feitas. Se trancar demais para evitar um novo acidente, sufoca e morre.

Dias passam. O elefante cada vez mais desliza para longe e assim consegue ficar ereto.

E todo esse peso, te deixa mais forte.


Esse sou eu e aqui te apresento as minhas cicatrizes.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.