Dois erros modernos: a idealização do período helênico e a demonização do branco colonizador
Dois erros modernos: a idealização do período helênico e a demonização do branco colonizador.
É preciso primeiro realizar uma analogia entre religião e cultura. Sabemos que são duas coisas diferentes, por, entre outros motivos, pessoas de culturas diferentes poderem aderir à mesma fé, sem que para isso abandonem totalmente características culturais. É o caso da alimentação, da vestimenta, dos modos de produção. Aquilo que vai contra as normas da fé é renegado, como deve ser, mas uma parte ainda se mantem.
A religião é, então, este princípio direcionador social. A religião é o leme do navio que se chama sociedade. Ela nos dá um cosmoentendimento, sustenta nossos valores morais. Foi somente na virada do século XVIII que as teorias de interpretação das diferentes manifestações culturais passaram a renegar a religião, o que é compreensível, visto que o século XIX seria o menos metafísico dos séculos. A tentativa de interpretar as sociedades excluindo o papel da religião foi um defeito dos pensadores daquela época. As interpretações de evolucionismo social, de determinismo, e principalmente o relativismo filosófico impediram sociólogos e outros de perceber que a especificação de uma cultura dá-se pelos princípios modeladores, dá-se pela religião.
É impossível conhecer verdadeiramente uma sociedade sem que conheçamos a doutrina metafísica que a sustenta e dirige. Nisto envolvem-se todos os juízos de valor que ocorrem na vida pessoal e social dos indivíduos e das instituições. A religião é orientadora do pensamento e das ações.
Se quisermos entender uma sociedade, observemos sua religiosidade. É ela que revela os aspectos salutares de uma cultura. Os valores superiores permeiam intimamente os indivíduos, baseiam-lhe os atos. As estruturas visíveis e fins especulativos de uma cultura tem sempre alicerces religiosos. Lembremo-nos que, um erro dos antropólogos e sociólogos dos últimos dois séculos foi inverter as coisas. Colocaram os elementos naturais, a terra e a raça, com predominância aos elementos culturais propriamente ditos: a arte, a ciência, as técnicas e o Direito. Erro grosseiro. Os elementos naturais estão submissos aos elementos culturais propriamente ditos, e esses estão submissos à Religião. É por isso que afirmamos a fé como princípio especificador de uma cultura. Se o Estado é a unidade política e a Nação é a unidade cultural, a Fé a unidade sublime. Por isso uma Nação não pode ter mais de uma religião, sob risco grave de colapso político e cultural. É justamente o que acontece na modernidade.
Não existe paz com pluralismo religioso, é a quimera laicista posta em prática. A opinião equânime é que, se só existe uma religião correta, todas as outras sem exceção são incorretas. O Estado laico moderno ignora este fato e produz o caos social, predecessor à massificação da irreligião e de suas máculas, sendo a principal, o fim dos princípios e fins metafísicos ordenadores.
Por isso Constantin Frantz (1817–1891), filósofo alemão, que de Hegeliano protestante converte-se em católico na velhice, afirmava: os povos europeus devem saber que são, antes de tudo, católicos e, não franceses, alemães, poloneses etc. Porque só pelo Cristianismo tornaram-se no que são.
Compreendido que religião é cultura, lato sensu, podemos falar de dois erros modernos: a idealização do período helênico e a demonização do branco colonizador.
O primeiro erro é a idealização da antiguidade clássica, principalmente da Grécia Antiga.
Engana-se quem acha que esta veneração pelo período greco-romano é algo pós século XIX, e seus movimentos místicos e sociedades secretas ocultistas. Temos no Renascimento, séc XV, nosso ponto chave. A veneração à cultura antiga (e sempre que falarmos cultura, leia religião) inicia-se ali. O rompimento da unidade cristã tem seu primeiro grande ato também ali. O saudosismo renascentista não é restrito à admiração às grandes construções, à filosofia, às vitórias em guerras, é, ante tudo, a invasão do paganismo, repaginado claro, sob égide de inspiração artístico-literária.
É preciso expandir um pouco a visão para entender como tantos pagãos uniram-se na Itália e influenciaram os séculos posteriores. Não eram homens simples, mas intelectuais densos, como Gemisto Pletão (1355–1452), um grego neoplatônico que quiçá é o principal mestre do renascimento. Professor de Marsílio Ficino (1433–1499), desejou por toda a vida a restauração do politeísmo grego e a destruição do cristianismo. Coincidentemente, foi enviado pela Igreja Ortodoxa para participar do concílio de Florença (1439) e acabou permanecendo na cidade, financiado por Cosme de Médice (1389–1464), famoso mecenas e governante de Florença de 1429 a 1464.
Com as guerras bizantino-otomanas, o fluxo de orientais vindos para o ocidente só aumentou. Com a vitória de Maomé II e a tomada de Constantinopla em 6 de abril de 1453, milhares buscaram abrigo no ocidente. E se a península italiana era a região economicamente pujante, é para lá que foram. Não vieram apenas cristãos. Mais uma vez, coincidentemente, surgiram dezenas de intelectuais pagãos proclamando ‘’’vejam! Perdemos a guerra! Gastais vosso tempo rezando! Precisamos retornar a nossos deuses!’’, claro que, tudo isso com sutileza, enquanto eram financiados por mecenas, muitos de boa índole e que não tinham noção de estar patrocinando pagãos (ou tinham?).
Os pensadores esotéricos do século XIX não iniciaram o saudosismo à Grécia Antiga, muito menos iniciaram a culpar o Cristianismo por uma suposta ‘’queda do ocidente’’. Tudo isso é antigo, e com ligações na busca pelo Kratos, pelo poder político. A helenização do ocidente no período do renascimento não se deu abruptamente. O abandono do teocentrismo por parte da nobreza já havia começado bem antes, e tem um marco: a Guerra dos Cem Anos. A Idade Média foi um período de paz entre países cristãos. Paz essa que era assegurada pela vivência da fé e pela submissão do poder temporal ao espiritual. Cristão não pode guerrear com outro cristão, não faz sentido.
A unidade começa a esfacelar com a Guerra dos Cem Anos. A sede pelo Kratos é evidente. A ordem política teocêntrica começa a ser substituída pelo aristocratismo-absolutista. Os reis começam a querer mais poder, mais controle, mais riquezas, o que culminaria mais tarde no rompimento da submissão do poder temporal ao espiritual e na formação dos Estados Absolutistas modernos, que já não eram perfeitamente cristãos.
Esse anseio pelo poder e progressiva absolutização coincide com a chegada das ideias helenizantes na península italiana, no século XV. Os príncipes tinham tamanha admiração pela política espartana que financiavam qualquer um que se mostrasse conhecedor da mesma. Filósofos pagãos e Reis ricos, união ‘’perfeita’’.
O saudosismo à cultura greco-romana (e mais uma vez reiterando, leiam cultura como religião), como se vê, não é algo recente. A renascença espalhou para o mundo esta ideia de que a cristandade, representada no medievo, é trevas, e o paganismo é luz.
Por isso é tão normal para qualquer um nascido pós século XV e que se posiciona contra a modernidade afirmar-se pagão. Ora, se a religião é cultura e desejamos reviver a ‘’gloriosa cultura pré-cristã’’, temos que reviver o paganismo. Toda a visão romântica que temos do período pré-cristão, essa imagem de sociedades perfeitas e harmoniosas, é fruto da renascença, é algo exposto incansavelmente nos livros de história dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX.
Finalmente chegamos na reviravolta (igualmente ruim): o século XX, quando inicia-se na literatura a demonização do branco colonizador. Abrimos o século XX com os livros de história começando a colocar o Homem Branco como opressor e terrível, e os povos colonizados como santos.
Esse é um movimento diferente do anterior, porém igualmente nocivo e errôneo. Se do século XV em diante temos o erro da exaltação do período pré-cristão, com a intensa fixação da cultura helênica (leia-se, religião helênica) na memória popular, no século XX temos a solidificação da progressiva rejeição da cristandade católica, representada pelo medievo. Estes ataques são focados especificamente no colonizador ibérico, portugueses e espanhóis passam a ser monstros vestidos em armaduras.
É quando se cria a figura do ‘’terrível espanhol sanguinário’’ e dos ‘’bárbaro português assassino’’. Tudo que é branco vira sinônimo de opressivo. Coincidente, o fundador do historicismo modernista foi o judeu-frânces Marc Bloch (1886–1944), fundador da Escola dos Annales.
Mas por que todo esse empenho da literatura moderna em demonizar o europeu?
A questão religiosa.
Atentem-se. Excluída a explicação esotérica, de que semitas e brancos são ‘’inimigos espirituais’’, temos uma breve resposta: o objetivo da demonização do colonizador é demonizar a sua religião, o cristianismo.
Por isso a literatura moderna está permeada de laicismo e de apologia às religiões de matriz africana ou indígena. O objetivo verdadeiro de atacar o homem branco é atacar a sua religião fundamental, o cristianismo. O objetivo da historiografia moderna não é atacar os progressos científicos ou o aparato tecnológico herdado dos colonizadores e dos quais continuam usufruindo. O objetivo sempre foi atacar e destruir a cristandade católica. Não obstante, os historiadores que narram os ‘’horrores’’ promovidos por Portugueses e Espanhóis católicos são justamente historiadores ateus, protestantes, judeus ou de outras religiões. Muito cuidado com as interpretações misticistas que possamos ter, eis a verdade aqui exposta.
Nunca esqueçamos o que o milionário judeu dono de indústria pornográfica Alvin “ Al “ Goldstein (1936–2013) afirmou, e que está documentado no livro XXX-Communicated: A Rebel Without Shul, de 2004, do autor australiano Luke Carey Ford:
