Na pracinha

Sol das quatro, tardinha.
Dourada luz do inverno.
Um sopro de vento suave quase frio.
Só tinha força pra espalhar as folhas.
De vez em quando.
Os cachorros correndo espalhavam mais.
Alguém jogava bolinhas, eles buscavam.
Pareciam felizes, todos.
Uma menina, moça, lia sentada.
Nem os cachorros incomodavam.
Tinha uma maçã, água, um pano pra sentar.
Pais e filhos, pequenos. Descobrindo os limites da praça juntos.
O limite da praça era o medo da rua.
Começava o mundo, na calçada.
Os pequenos estavam sob controle.
Pegavam as bolas que os pais jogavam.
Pareciam felizes, todos.
As crianças se recusavam a comer.
Não tinham tempo a perder.
Brincar era possível, até a borda do mundo.
Os brinquedos coloridos eram escalados.
O gramado virou um estádio, e as sandálias as traves.
Ali estreavam ídolos, pequenos meninos que aprendiam a vencer.
Alguns perdiam e antes do sol se pôr já estavam tristes.
Os filhos no colo estavam com sono.
Quando a maioria foi embora, alguns ficaram. Incluindo cachorros.
Eles moravam nos bancos. E embaixo deles.
Pareciam felizes, todos.