Minhas Anarquias. 3.

igordrey
igordrey
Aug 23, 2017 · 2 min read

Acordo querendo acordar de novo, o mesmo dia, a mesma hora, a mesma luz a queimar meus olhos semicerrados e tocar o corpo trêmulo. Desejo coisas demais, dessas coisas desimportantes feito topar consigo mesmo na esquina e perder-se na fila da padaria. E na volta já não sei quem foi e muito menos quem voltou.

Acordo querendo desacordar, ir à mil lugares, distâncias infinitas, parado feito pássaro noturno ensimesmado. Estanque feito dança que não dança, palavra que não diz, rio que não corre. Mal-ditos que atropelam a língua. Não sei quem diz, não sei quem vê. Quero apenas acordar de novo e andar atônito em minha cela sem ar.

[ something less ] por Igor D.

Acordar de novo com o bailar da bailarina vagando entre meu tempo estendido. Baile que repousa chave da minha sepultura em peito ofegante. Para que eu absorva com fome de corpo todo pequenas mortes e renasça aquém e além de mim. Pulsa, ressoa, intrépida bailarina que atravessa com velocidade intensiva, fulguração embebida em sol de meio-dia.

Despertar calculado, estriado, enumerado; tranquei o fantasma no guarda-roupa e acordar é tão pouco, gota de orvalho em floresta esquecida. Preciso acordar de novo, e de novo, e de novo. Baila bailarina, me perco, me encontro nos golpes de ar que tocam o ocaso, o acordar, esse tempo outro e a pele contaminada de ferrugem e minúsculos demônios de um olho só.

[ para a menina-bailarina da palavra-poesia ]

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade