Sobre pensar grande e pensar pequeno. Que energia nos move?

Facilitação de Lego Serious Play por Igor Drudi
Pensar pequeno e pensar grande dá o mesmo trabalho. Mas pensar grande te liberta dos detalhes insignificantes. Jorge Paulo Leman

Apesar de todos os desafios do mundo moderno, podemos nos considerar uma geração de privilegiados, pois essa é uma escolha possível a grande maioria de nós. Muito improvável a nossos pais e avós, que devido as restrições de recursos e de conhecimento eram condicionados a uma cultura de escassez. O pensamento era de que mundo poderia acabar no dia seguinte.

Nos últimos cem anos, a expectativa de vida humana mais que duplicou, a renda per capita média ajustada à inflação triplicou ao redor do mundo. Mortalidade infantil caiu cerca de 10 vezes. Junte a isso o custo do alimento, eletricidade, transporte, comunicação que caiu de 10 a 1.000 vezes. Steve Pinker nos mostrou que, de fato, vivemos os tempos mais pacíficos da história humana. E Charles Kenny que o alfabetismo global passou de 25% para 80% nos últimos 130 anos. A inda que não seja um paraíso, mas comparado a outras eras da humanidade, verdadeiramente vivemos em uma época extraordinária. E muitas vezes esquecemos disto.

Essa reflexão (inclusive estes dados) vem deste TED do Peter Diamandis, se você ainda não o conhece, coloque o na sua lista de grandes pensadores (e fazedores) como referencia. De forma geral, apresenta que a restrição é devido a nossa incapacidade técnica / cultural / comportamental em adquirir os recursos. E que estes, em geral, são abundantes.

Hoje temos uma grande profusão de recursos e de conhecimento e a combinação destes tem nos fornecido um contraponto a cultura de escassez: a cultura da abundancia. E dentro deste modelo mental, o pensar grande e o pensar pequeno te posicionam em como irá impactar o mundo com suas ações e empreendimentos.

E isso esta diretamente conectado a quais são as motivações dos engajados com o pensar grande / pensar pequeno. Essa motivação é a energia que empregará em novas ações, desafios, empreendimentos. Daniel Pink, autor de Motivação 3.0 e Drive, em suas pesquisas apresenta a tênue linha sobre o que realmente motiva as pessoas.

Mas quando apresento que “Apesar de todos os desafios do mundo moderno, podemos nos considerar uma geração de privilegiados, pois essa é uma escolha possível a grande maioria de nós. “ estou falando com você leitor deste artigo no Linkedin, que possivelmente não faz parte da massiva maioria de brasileiros que vive num ambiente de escassez extrema.

Um cenário restritivo, de escassez, impossibilita o indivíduo de se abrir as possibilidades e ao novo, é um veneno a criatividade e a inovação, possibilitando um contexto de mediocridade e estagnação. E de pobreza.

Esse pode ser um dos aspectos para o Brasil ser uma promessa. A muitos anos.

O vídeo abaixo pode ser pesado na abordagem, mas mostra um Brasil cheio de potencial mas propositalmente (politicamente…) mantido subdesenvolvido.

Nossa educação e a maioria dos negócios estão fundamentados na restrição. Não existem vagas suficientes, o dinheiro e o mercado é limitado, garanta somente o seu por que não haverá para amanhã. Mas a cada dia, somos surpreendido por novas idéias, abordagens e desafios solucionados que rompem com esse paradigma. O que existe na verdade não é restrição ao recurso, mas a falta de acesso a uma ideia, abordagem ou tecnologia que permita alcançar a abundancia disponível e necessária.

E para romper esse circulo, é necessário energia, movimento, ação, sair da inércia.

Essa energia foi o que nos permitiu evoluir como espécie, caso contrario ainda estaríamos morrendo por simples infecções, vivendo somente nas poucas áreas de abundancia de alimentos ofertados pela natureza e de clima agradável. Seriamos alguns poucos no planeta em uma existência natural.

E colocar essa energia em nossas vidas é empreender.

E empreender muitas vezes é antinatural, uma desafio frente a transformação da natureza e de nós mesmos. Quando discutimos sobre esse ponto de vista, não trata-se de “destruir a natureza”, mas sobrepor os desafios e limitações que o ambiente natural que nos condiciona. Confrontar esse ambiente desafiador de forma inteligente serviu para a humanidade primitiva e ainda serve para a moderna moderno.

Até porque quando se procura a raiz da palavra sobreviver, não significa explicitamente evitar morrer, mas na sua origem latina SUPRAVIVERE é “viver além da expectativa”, de SUPRA, “acima, além”, mais VIVERE, “viver”.

Empreender é uma função básica dos seres humanos, foi o que nos proporcionou sair de uma vida de coletores /caçadores para uma sociedade desenvolvida, visto que em latim temos o termo IMPREHENDEREque significa “tentar desempenhar uma atividade, uma tarefa”, formado por IN-, “em”, mais PREHENDERE, “ pegar, agarrar”.

Mas o impacto que gera o nosso “empreendimento” é que provocou esse artigo. Se o supravivere está sendo feito, por mim, por nós.

Distribuir currículos e esperar, cortar a grama, ir assistir um filme, apontar o dedo para políticos, abrir um negócio para o meu sustento ou desenvolver um serviço que impacte milhares / milhões de pessoas. São formas de colocar a energia em ação, cada um do seu jeito.

Esperar e se adequar a restrição ou energizar e construir o novo? Pensar grande ou pensar pequeno? Ainda estou aqui com essa reflexão, acho que preciso supravivere. E é preciso energia, que podemos chamar de proposito, que fica para um outro artigo.

Abração e obrigado!

Igor Drudi

https://www.igordrudi.com.br/



Originally published at https://www.linkedin.com on May 19, 2017.

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