A transformação de Kevin De Bruyne

De poucas oportunidades e rejeitado no Chelsea, para um dos melhores jogadores do planeta. Kevin De Bruyne demorou para embalar, mas hoje, aos 26 anos, atingiu sua plena maturidade e evolui a cada temporada que passa. O meia do Manchester City vem entregando grandes exibições nas últimas semanas, que enfim parecem lhe dar o reconhecimento que ele merece: o topo do futebol mundial em sua posição.

Desde que foi adquirido pelo Chelsea, em janeiro de 2012, o jogador sofreu em alguns períodos para conseguir sequência em algum clube, mas sempre que isso foi possível entregou um bom futebol. Demorou seis meses para chegar ao Werder Bremen para iniciar uma temporada e já deu sinais positivos de um meio-campista bastante ativo no terço final de campo e na bola parada: 10 gols e 10 assistências em 34 partidas pelo time alemão.

Depois dessa temporada de sucesso, voltou ao Chelsea, mas não por muito tempo. Poucas oportunidades e novamente o clube de Londres resolve emprestar Kevin em janeiro, dessa vez para o Wolfsburg. Durante os seis meses finais da temporada, foram três gols e sete assistências pelos Lobos. Mas era apenas o pontapé inicial para o que viria a ser histórico para o time alemão — e também uma mudança na vida profissional de Kevin De Bruyne.

Em 2014/15, o jogador fez história no Wolfsburg. Foram 16 gols e 28 assistências em 51 partidas, quebrando o recorde de passes para gol da Bundelisga e levando os Lobos ao título da Copa da Alemanha. Mas como ele jogava?

De Bruyne é um jogador que, ainda hoje, precisa de espaço para entregar seu melhor nível. Em um Wolfsburg com algumas características reativas, o jogador partia de sua posição original como meia-central, se deslocava para os lados do campo e, dali, entregava a maioria de suas assistências. O meia consagrou o atacante Bas Dost, que fez 20 gols naquela temporada. Se via ali, por consequência, um jogador de muita influência nos metros finais do gramado, com passes e também finalização. Um meia-atacante.

Ao ser transferido para o Manchester City em 2015, ficava a expectativa: enfim se adaptaria ao futebol inglês e também saberia lidar com a pressão de um clube com maiores exigências? A resposta é sim. Logo em sua primeira temporada, De Bruyne já assumiu protagonismo, deu as caras em grandes jogos e levou o City a sua primeira semi-final de Champions League. Mesmo crucificado por Pellegrini em diversos jogos — jogando como ponta em um time propositivo -, o meia entregou 15 gols e 14 assistências em 40 partidas.

Com a chegada de Guardiola em Manchester, alguns especialistas tiveram dúvidas sobre como seria a adaptação de De Bruyne ao futebol do técnico catalão. Pep tradicionalmente não usa um ‘10’ clássico e talvez seria o momento para o belga definitivamente se transformar em um jogador de ações no terço final de campo. Talvez partindo do lado esquerdo para também ter sua finalização explorada e deixando o corredor para o avanço do lateral. Porém, o processo que realmente aconteceu foi o inverso.

Com Guardiola e seu 4–3–3, De Bruyne ganhou muito mais metros de campo para cobrir e influenciar. Se transformou definitivamente em um todocampista, onde tem influência na saída de bola, nas transições e no terço final, principalmente após recuperação de bola em boa posição. De Bruyne não perdeu suas características, segue sendo a máquina de transições que o mundo conheceu durante sua temporada no Wolfsburg — apenas ganhou outras e se tornou um jogador melhor.

“Máquina de transições” inclusive talvez seja a melhor definição. Os times de Guardiola não se destacam apenas na hora de propor: a recuperação de bola pós-perda também é vital. A partir disso, De Bruyne é um fenômeno: acelera o jogo com uma precisão incrível no penúltimo ou último passe. É rotina para o City o meia belga acionar os pontas bem abertos pelos lados, que servem o centro-avante via cruzamento por baixo. Sua influência em campo próprio se trata de sua personalidade e precisão: chama o jogo mesmo que esteja sob pressão, tem capacidade de passe longo, curto e também vertical, buscando David Silva nas costas dos volantes adversários.

Muitas assistências e chances criadas por Kevin De Bruyne ainda estão por vir. É difícil imaginar um jogador manter esse nível das últimas semanas até o fim da temporada tendo tantas áreas de atuação, mas para um atleta que está em seu auge e claramente tem fome de vitória, KDB tem tudo para seguir vivendo dias incríveis com a camisa do City.

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