Leicester e o futebol como fenômeno de união local

Igor Junio
Nov 4 · 3 min read

Leicester é uma das grandes cidades do Reino Unido. Localizada nos East Midlands, tem uma história de praticamente dois milênios, já que foi fundada por volta de 50 d.C, quando a Inglaterra ainda era dominada pelo Império Romano.

São mais de 600 mil pessoas em todo o condado de Leicestershire e uma rica história industrial no passado, mas o que nos aproximou de Leicester foram acontecimentos factuais durante o século XXI. Se você não sabe, Madeleine McCann, menina que desapareceu em Portugal em 2003, era natural da cidade. Outro fato interessante é que, em 2012, foi encontrado em um parque de estacionamento de Leicester o esqueleto de Ricardo III, o último rei da Inglaterra a morrer em uma batalha.

Tudo isso é interessante, inclusive esse fato sobre Ricardo III é usado como propaganda na cidade, principalmente na promoção de turismo, mas o que uniu de fato Leicester foi o futebol. O imponderável atingiu a cidade de forma marcante em duas oportunidades nessa década, uma para o bem e outra para o mal.

Não preciso me alongar muito para falar sobre o título de 2016 do Leicester. Uma campanha histórica, heróica, sendo para muitos o maior feito da história do futebol. Times milionários superados por Kante, Mahrez e Vardy em uma história mágica que será contada por gerações.

Essa história teve um responsável fora dos gramados: Vichai Srivaddhanaprabha. O businessman do Leicester deu as condições necessárias para que o impossível fosse feito na Premier League. Em 2018, infelizmente, todos os olhares voltavam para Leicester, mas por um motivo triste: ele faleceu em tragédia de helicóptero no King Power Stadium.

Mais uma vez a cidade se unia, agora para prestar suas condolências e expressar sua gratidão para o homem que fez um sonho ser possível. Ainda é emocionante ver a torcida do Leicester, dentro ou fora de casa, estender cachecóis em sua homenagem.

Hoje, o chairman deve estar olhando o que o Leicester virou com muito orgulho lá de cima. Toda a magia envolvida em 15/16 é algo que não será alcançado novamente, mas conseguir certa estabilidade a ponto até de ameaçar o big-six inglês era o objetivo do Leicester após o título.

Jamie Vardy ainda é o rei, mas seus súditos estão dispostos a assumir o trono e as responsabilidades desse posto. Com a regência de Brendan Rodgers, o que vemos do Leicester em 19/20 é um time consciente, equilibrado e totalmente ciente de sua capacidade e papel dentro de uma Premier League diferente — Tottenham, United e Arsenal passam por momentos difíceis.

Nesse reinado, os cavaleiros de linha de frente são James Maddison e Youri Tielemans. Os garotos parecem ter dado a passo à frente que se esperava deles e são peças determinantes para a consistência alcançada pela equipe. Abaixo deles, soldados importantes para uma das melhores defesas da liga: Ricardo Pereira, uma bomba física, Söyüncü, a surpresa, e Chilwell, um exemplo técnico do nível desse time.

O ataque talvez ainda precise de um príncipe. Maddison não se adaptou à ponta-esquerda e explodiu na temporada — crescendo de rendimento junto com o time — pelo meio. No entanto, nomes para o posto não faltam: Ayoze Perez chegou, Barnes tem se firmado e ajudado bastante, além de Gray, que acrescenta uma característica diferente que o elenco necessita.

Ainda estamos no primeiro turno, mas o que é bem feito precisa ser elogiado. O reino de Leicester vai indo muito bem, a cidade segue unida e a volta à Champions League parece ser realidade. Vida longa!

Igor Junio
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